09 de julho de 2026
Internacional

Projeção coloca García na Presidência

Por Fabiano Maisonnave | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Lima - O ex-presidente de centro-esquerda Alan García Pérez derrotou o nacionalista Ollanta Humala e deve voltar ao cargo máximo do Peru após 16 anos, segundo projeção realizada a partir das atas eleitorais. O candidato do Apra (Aliança Popular Revolucionária Americana) obteve 52,9% dos votos válidos no segundo turno, realizado ontem.

Ollanta Humala teria obtido 47,1% dos votos, aponta a projeção do instituto Apoyo, considerado o mais confiável do Peru, baseada em 86,5% das atas eleitorais de todo o país. A margem de erro é de um ponto percentual, para cima ou para baixo.

“Já é apropriado dizer que García é o virtual presidente eleito’’, disse o diretor de Apoyo, Alfredo Torres. A projeção confirmou a forte divisão regional dos votos.

No Departamento de Ayacucho (altiplano sul), principal campo de batalha entre o Sendero Luminoso e o Estado nos anos 1980 e 1990, Humala recebeu impressionantes 83,9% dos votos, a maior diferença em favor de um dos candidatos.

Na região central de Arequipa, segunda cidade do país e reduto mais importante de Humala, simpatizantes do nacionalista, aos gritos de “Arequipa revolução’’, atacaram os do Apra, que comemoravam os resultados de boca-de-urna.

Até o começo da noite de ontem, não havia informações sobre feridos ou presos. García, por outro lado, confirma o favoritismo no norte e vence também em Lima - onde está cerca de um terço da população - com estimados 62,6%. A vitória do aprista na capital peruana foi considerada crucial para “desempatar’’ a polarização entre o norte e o sul.

Líder de um desastroso governo (1985-1990), García deixou o poder em meio a um espiral de recessão, hiperinflação, violência fora de controle promovida pelos senderistas e escândalos de corrupção. Apesar do fracasso, ele quase foi reeleito em 2001, quando chegou ao segundo turno e foi derrotado por Alejandro Toledo.

Desta vez, buscou superar a alta taxa de rejeição explorando o medo de um possível governo Humala e usando suas principais armas: a excelente oratória e a estrutura do Apra, o único partido com presença em todo o país. Apesar do temor de tumulto e dos episódios violentos nos últimos dias, os centros de votação funcionaram normalmente, registrando apenas incidentes isolados, segundo a ONG Transparência, que tem a maior rede de observadores.

Num deles, um homem jogou moedas e notas de dinheiro em García quando ele saía do seu centro de votação, em Lima. O episódio mais violento ocorreu em Huancayo, onde militantes do Apra agrediram um funcionário eleitoral que confiscou material de campanha.

Mas as principais irregularidade foram cometidas pelos próprios candidatos. Por volta das 9h30, García promoveu um café da manhã diante das câmeras acompanhado da mulher, Pilar, e dos cinco filhos. O desjejum virou uma entrevista de 30 minutos, deixando espaço para que ele pedisse votos, o que é proibido no dia da votação.

Já Humala antecipou a ida ao local de votação das 12h para as 9h locais, para evitar o episódio ocorrido no primeiro turno, quando foi cercado por manifestantes e só saiu do prédio após a chegada da polícia. Em seguida, imitou o seu adversário e também promoveu um café da manhã com entrevista no seu comitê central. Pediu um “voto de consciência’’ e voltou a dizer que teme fraudes.