09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Este rio só tem formigas


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Na fazenda do Cintra, lá pelas bandas de Guainás tem um trecho do ribeirão que atravessa um bosque e a vegetação cobre o canal de tal maneira que não entra claridade no leito do rio. Assim, mesmo durante o dia, em que os peixes de couro não se movimentam, era possível a realização de uma boa fieira de bagres e mandis.

O local era muito procurado pelas famílias com o intuito de comemorar e curtir algumas horas de lazer. Dentre os comensais sempre havia um ou outro adepto de pescaria e levavam a sua tralha para tentar a sorte entre um gole e outro...

Nosso amigo, ourives de primeira linha, lá estava encantando os convivas com sua simpatia e verbosidade, porém, no decorrer do dia, abusou um pouco da branquinha e ficou “alto”. Certa hora avisou que iria pescar. Pegou a vara, iscou com algumas minhocas açú e cambaleante buscou a margem do ribeirão.

Passado algum tempo, preocupadas com o amigo, algumas pessoas percorreram as margens do córrego para encontrar o pescador. Vai daqui, vai dali, até que topam com o tal estatelado dentro de um trecho raso do córrego, segurando a vara com a linha estendida no gramado e, inquirido pelo que acontecera, respondeu: “Puxa vida, este rio é uma porcaria, em vez de peixes, aqui só tem formigas”. Parece mentira, mas é verdade mesmo. Aconteceu.

Walther Mortari é pescador e contador de histórias