11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em 3 meses, ‘guerra' derruba preços do álcool em até 40%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A tão falada guerra de mercado praticada entre postos de combustíveis tem gerado uma situação de dualidade em Bauru. De um lado, o consumidor é beneficiado com preços mais baixos, não esquecendo de que é preciso sempre ficar atento à qualidade dos produtos adquiridos. De outro lado, donos de postos reclamam que estão derrubando suas margens de lucro sem que as vendas tenham aumentado. Do início de março até agora, a disputa fez o preço do litro do álcool cair até 40% na cidade.

Em relação à gasolina, a queda acumulada nos últimos três meses chega a 15% no preço de venda ao consumidor final. No caso do álcool, no início de março foi alcançado o preço mais alto de venda do produto em Bauru: R$ 2,00. Atualmente, em alguns postos o litro já pode ser adquirido a R$ 1,19. Além da disputa de mercado, o início do período de colheita da cana-de-açúcar, em abril, colaborou para as reduções de preço.

Também em março, a gasolina chegou a custar R$ 2,65, caindo agora para uma média de R$ 2,25. “Essa realidade que vivemos hoje é vantajosa para o consumidor se ele souber comprar o combustível adequadamente, ou seja, primando pela qualidade”, orienta o empresário do ramo Edivaldo Tuschi.

De acordo com ele, para saber se o combustível é de boa qualidade, basta encher o tanque do veículo e “fazer as contas”, ou seja, calcular quantos quilômetros estão sendo percorridos por litro. “Se o carro estiver consumindo demais, fora de qualquer parâmetro, é sinal de que há algo errado com o combustível”, observa.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Wagner Siqueira, diz que o consumidor deve tomar alguns cuidados, como abastecer em um posto de sua confiança ou pedir nota fiscal para um eventual pedido de ressarcimento na Justiça.

Custo

Ambos os empresários reclamam da disputa de preços. No momento, o preço de custo (valor que os donos de postos pagam para comprar o produto na distribuidora) do álcool gira em torno de R$ 1,18. No caso da gasolina, a média é de R$ 2,20.

“Com os preços de venda que estão sendo praticados no momento, nossa margem de lucro está girando em torno de R$ 0,08. O certo seria estar entre R$ 0,35 e R$ 0,40. É um absurdo o que está acontecendo. Eu duvido que esses preços (de venda) permaneçam por muito tempo, porque se isso durar mais uns dois ou três meses, 15% dos postos da cidade vão falir”, aponta Siqueira.

Tuschi observa que os gastos dos empresários para a manutenção dos estabelecimentos continuam os mesmos. Por outro lado, as vendas não aumentaram, já que todos os postos diminuíram os preços. “Eu estou conseguindo sobreviver, mas tem gente que já está pensando em demitir funcionários.”

A dona de casa Jaqueline Sanas, que tem um carro a gasolina, está comemorando o período. “Depois do susto que a gente levou com a gasolina custando mais de R$ 2,60, estou achando ótimo o que está acontecendo agora. Mas eu sempre abasteço no mesmo posto, que já é de confiança”, pondera.