Após assembléias realizadas nas últimas semanas, os trabalhadores da construção civil de Bauru decidiram decretar greve ontem, conforme antecipado pelo Jornal da Cidade no último sábado. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes, afirma que em dez obras de construção de edifícios de médio e grande portes na cidade houve adesão de funcionários à greve - a maioria no Centro da cidade.
O sindicalista afirma que 3 mil trabalhadores cruzaram os braços ontem. A informação, no entanto, é contestada pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SindusCon) em Bauru. O diretor regional do SindusCon, Ralph Ribeiro Júnior, não soube estimar quantos trabalhadores poderiam estar paralisados ontem, mas acredita que o número é bem menor do que o apresentado pelos grevistas.
Em Bauru, existem cerca de 6 mil trabalhadores do ramo, entre contratados, autônomos e pequenos empreiteiros. Os manifestantes farão assembléia todas as manhãs, mas já afirmam que a greve é por tempo indeterminado. “A greve só termina com a negociação de um novo piso salarial para a categoria”, afirma Gomes.
Ele argumenta que os valores foram definidos em convenção coletiva. Pela reivindicação do sindicato, os trabalhadores qualificados (pedreiros, eletricistas, encanadores, armadores etc) passariam a receber R$ 783,40, ao invés dos atuais R$ 719,00.
Já o piso dos trabalhadores não qualificados (serventes, ajudantes e auxiliares de pedreiros) seria elevado de R$ 585,20 para R$ 637,00. A categoria tem data-base em 1 de maio e pede reajuste salarial de 6%.
Em um dos prédios em construção, no Jardim Estoril, o engenheiro responsável Moacir Grandini Carlos estima que 25% dos funcionários estavam em greve na manhã de ontem. No entanto, ele assegurou que não houve paralisação da obra. “A maioria dos funcionários não aderiu à greve e está trabalhando normalmente”, diz.
Gomes ressaltou que o movimento grevista não está acontecendo apenas em Bauru, mas também em outras cidades do Interior do Estado. “Em São José dos Campos, Mogi das Cruzes e Sorocaba também existem trabalhadores parados”, diz.
O diretor regional do SindusCon desconhece que existam obras paralisadas na cidade. Também diz que as negociações com os trabalhadores sempre aconteceram. “Temos uma comissão permanente de negociação com os trabalhadores. Além disso, o reajuste de 6,1% já está praticamente acertado”, afirma. “Não entendemos o porquê da greve”, conclui.