09 de julho de 2026
Articulistas

Proibições benfazejas


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A Justiça Eleitoral, atenta aos reclamos da sociedade, decidiu aplicar já nas eleições de outubro próximo, alguns dispositivos aprovados pelo Congresso no sentido de disciplinar e coibir a utilização do poder econômico pelos candidatos. Embora a tradição tenha sido, até recentemente, voltada para a aplicação das regras eleitorais somente nos pleitos de anos subsequentes, desta vez o clamor da opinião pública levou os magistrados a fazer vigorar de imediato alguns freios ao poder econômico.

Trata-se de providência correta, benfazeja. As proibições de outdoors, showmícios, camisetas e bonés de campanha, bem como a distribuição de brindes em geral, com os quais sempre se fez a captação de eleitores, podem e devem contribuir para limitar a obtenção de mandatos eletivos por parte de candidatos despidos de bandeiras de luta. Candidatos geralmente sem mensagens úteis, sem prestação de serviços à comunidade, sem nenhum compromisso com a ética.

A decisão da Justiça Eleitoral ajuda a nivelar um pouco os candidatos ricos e pobres, embora seja impossível evitar que potentados, através de cabos eleitorais, façam chegar dinheiro vivo às mãos de pessoas subornáveis. A nova sistemática dá a uns e outros, pelo menos, a possibilidade de conquistar votos por seus próprios méritos, mediante contatos pessoais, persuasão em prol do bem comum, difusão de planos e projetos etc. A propósito, transcrevo aqui a opinião do jornalista e ex-deputado federal João Mellão Neto, divulgada no jornal O Estado de S. Paulo: “Se tudo ocorrer de acordo com a lei, teremos, pela primeira vez na História, uma eleição em que o poder econômico não será preponderante. E os nossos Parlamentos, assim, se livrarão de muita gente que não tem o menor nível cultural ou moral para lá estar”. Diz mais o articulista Mellão Neto: “Há eleitores sim - e não são poucos - propensos a votar em cidadãos que se proponham a fazer campanhas limpas, honestas, sinceras e sem ostentação. Esses eleitores têm características muito particulares. São dotados, em princípio, de grande sendo crítico. Eles têm consciência de que dinheiro não cai do céu. Alguém há de pagar pelas campanhas milionárias. Se não for o candidato, do seu próprio bolso, há de ser, necessariamente, algum poderoso grupo econômico que pretenda eleger parlamentares para fazer uso deles, depois, na defesa de seus interesses, no mais das vezes, inconfessáveis”.

Atentem bem, caros leitores, para as observações acima, eis que, de sua obediência, depende a grande depuração política desejada pela maciça maioria do eleitorado nacional. Se a Justiça Eleitoral fez a sua parte, dando-nos a chance de melhorar o nível do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas – as Casas do Povo -, que os votantes tornem essa depuração uma realidade. Como chegar a esse desiderato? Basta observar a postura dos candidatos, ajudando a denunciar aqueles que insistirem nos velhos métodos de politicagem calcada na compra de votos e no emporcalhamento das ruas da cidade. É preciso dizer não aos potentados que põem seus cabos eleitorais nas ruas, com dinheiro nas mãos, à procura de votos, como se fossem ás quitandas e açougues em busca de verduras, frutas, legumes e carne para o abastecimento de suas cozinhas.

O autor, Nilson Costa, é ex-prefeito e jornalista