09 de julho de 2026
Nacional

Notícia-crime é mais grave que impeachment, diz líder tucano

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães (BA), considerou ontem “muito mais grave” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser alvo de uma notícia-crime do que de um pedido de impeachment. Jutahy se referia ao pedido que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entregou ontem para a Procuradoria Geral da República pedindo o aprofundamento das investigações contra o presidente sobre seu possível envolvimento nos escândalos do “mensalão”. “A notícia-crime é muito mais grave do que um pedido de impeachment”, considerou o líder tucano.

O deputado citou que a Câmara já recebeu 30 pedidos de impeachment contra o presidente e todos foram arquivados pelo presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), sem que as denúncias fossem investigadas. Agora, ele disse acreditar, que será diferente. “O Procurador já denunciou 40 pessoas. Agora vai investigar se o presidente participou da organização criminosa”, disse o deputado numa referência aos envolvidos no escândalo do valerioduto.

O deputado disse que o PSDB não irá encabeçar nenhum pedido de impeachment de Lula porque “o partido não quer ser acusado de golpe”. “O que temos que fazer nesse momento é ganhar de Lula nas eleições. Agora, o que foi comprovado é muito grave”, disse.

Segundo o líder tucano, o comportamento do presidente, “que demonstra não ter preocupação com o que aconteceu no seu governo”, é preocupante e fruto do resultado das pesquisas eleitorais, que o colocam como vitorioso já no primeiro turno. “Quem fez isso (‘mensalão’) foi o partido do governo, por uma estrutura para servir ao governo”, afirmou.

Segundo o deputado, o número de absolvições de mensaleiros, que chegou a 11, é resultado de um acordão entre “compradores e comprados”, o que seria diferente se as votações dos processos de cassação fossem abertas e não secretas.

Participação indiscutível

Os oposicionistas elogiaram a notícia-crime apresentada pela OAB contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que a oposição deveria ter adotado a mesma medida no ano passado, no início da crise gerada pelas denúncias de corrupção e compra de voto. “A notícia crime é completa e bem feita. Houve um erro político nosso, porque deveríamos ter feito isso no ano passado”, afirmou ACM.

O líder da Minoria no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), disse ser “indiscutível” a participação do presidente no esquema de corrupção investigado pelas CPIs dos Correios e do Mensalão. A negativa desse fato, de acordo com ACM, seria “bulir com a inteligência do povo”. A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse que não comentaria a decisão da OAB.