08 de julho de 2026
Economia & Negócios

Inadimplência no comércio cai 43%

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Estatísticas da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) apontam que o bauruense está menos inadimplente. De janeiro a maio deste ano, 12.639 pessoas foram incluídas na lista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), contra 22.243 registros contabilizados entre os mesmos meses do ano passado. Isso significa 9.604 consumidores a menos na lista de maus pagadores, uma queda de 43,17% sobre o mesmo período de 2005.

Esse recuo é atribuído, principalmente, à tendência das compras estarem sendo efetuadas através de cartão de crédito e de débito. Segundo os comerciantes, as vendas no crediário e no cheque pré-datado caíram significativamente em razão da clientela estar mais adepta ao uso do cartão.

Por conta disso, a maioria dos estabelecimentos comerciais aceita e até incentiva essa forma de pagamento. Para o setor, a alternativa é muito compensatória, já que é a operadora do cartão que cobre o débito. Portanto, caso o consumidor deixe de pagar a compra, fica devendo para a operadora do cartão e não para a loja.

“Cerca de 80% dos meus clientes pagam com o cartão. Para a gente, é uma garantia de pagamento. A inadimplência tem diminuído 20% de janeiro a maio (em comparação ao mesmo período de 2005), e acredito que seja em razão disso. Eu prefiro receber no cartão”, afirma Aldemiro José Alves, dono de uma loja de roupas no Centro de Bauru.

Rosângela Cristovam, também proprietária de um estabelecimento de vestuário na região central da cidade, concorda que o cartão de crédito tem evitado a inclusão de muita gente no SPC. Mas acredita que a inadimplência tem caído no município porque o consumo também diminui. “O poder de compra das pessoas tem baixado. Então, quem não tem o interesse de dever acaba não comprando”. Em sua loja, as vendas no cartão representam 20% e a maioria que compra a prazo parcela no crediário.

Para Sérgio Evandro Motta, presidente da CDL em Bauru, o cartão de crédito tem contribuído para a redução de inadimplência, porém não tem sido determinante. Ele diz que a alternativa fez com que muitos consumidores substituíssem o talão de cheques pelo cartão, porém não as compras no crediário.

“Não são tantas pessoas que passaram a usar o cartão de crédito. Quem dispõe desse serviço, sabe que terá de pagar uma anuidade por ele, o que resulta num gasto extra. O que tem sido fundamental para essa redução, de fato, é o aumento do poder aquisitivo do consumidor, embora pareça pequeno, e a maior flexibilidade do vendedor para o inadimplente acertar seus compromissos em atraso”, avalia.

Motta, no entanto, considera a oscilação da estatística normal para a época do ano. Segundo ele, este é o período em que os consumidores que gastaram em excesso no final do ano estão terminando de regularizar os pagamentos em atraso.

Vendas

O diretor da CDL também disse não acreditar que o volume de compras está sendo menor por conta dos números do levantamento. Motta diz que as vendas seguem a mesma tendência do ano passado, e que sua expectativa é de crescimento a partir deste mês, em razão da Copa do Mundo e do Dia dos Namorados. Inclusive, segundo ele, os dois eventos já começam a aquecer o mercado. “Na verdade, vamos sentir uma expansão nas vendas assim que o Mundial começar e esse crescimento deve acompanhar o desempenho do Brasil na competição”, completa.

Por outro lado, o estudo “Mercado de Baixa Renda”, realizado pela operadora de crédito Credicard e divulgado no mês de março, revela que as compras feitas com cartão de crédito têm crescido entre os assalariados que recebem até R$ 500,00 por mês em todo o País, o que reafirma a teoria dos comerciantes.

A expectativa é de que até o final do ano, 80,12 milhões de cartões devam ser usados para compras. O auxiliar de farmácia Evandro Fabro dos Santos, 25 anos, pretende adquirir um dentro dos próximos dias. Para ele, o cartão vai facilitar os pagamentos e ampliar sua renda, que é de um salário mínimo.

“Além das burocracias dispensadas quando apresentamos o cartão na loja, ele é muito bem-vindo quando o dinheiro está curto e precisamos comprar alguma coisa”, observa.

A pesquisa ressalta que 35% dos consumidores de baixa renda usam o cartão de crédito para pagar contas em supermercados, enquanto 23% para a compra de roupas e calçados.

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PIB contribui

O economista Mauro Fernando Gallo acredita que o Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 26% menos nos últimos 12 meses, tenha sido determinante para essa oscilação negativa no índice de inadimplência. “Além disso, claro, temos os cartões de crédito, as compras à vista e um pouco de melhoria na renda entre as camadas sociais menos favorecidas. O PIB cresceu, porém menos do que havia crescido há um ano”, observa.

Gallo explica que a variação do PIB oscilou negativamente por conta da elevação de juros, o que diminui as vendas a crédito, e do aumento da carga tributária.