09 de julho de 2026
Bairros

Falta médico, mas Saúde quer os pacientes leves nos núcleos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Desde ontem a unidade Básica de saúde do Mary Dota está com um pediatra e um ginecologista a menos. Os dois especialistas pediram exoneração de seus cargos e a prefeitura ainda não possui previsão de quando as vagas serão preenchidas. Segundo o secretário municipal de saúde, Mário Ramos, o atendimento na unidade não foi prejudicado. “Na área de pediatria, lá nós temos uma procura menor que a oferta”, afirma. Com a saída dos dois especialistas, a equipe de atendimento do Mary Dota passa a ter sete clínicos gerais, quatro pediatras e um ginecologista.

Ramos aponta que a procura por pediatras nos núcleos de saúde está abaixo do que as equipes podem atender não só no Mary Dota, mas também na unidade do Jardim Bela Vista e da Vila Ipiranga. De acordo com o secretário, o atendimento está se concentrando no Pronto-Socorro Infantil (PSI).

Segundo Ramos, o PS Infantil realiza em média 222 atendimentos todos os dias e cerca de 80% dos casos são ambulatoriais e não de urgência e emergência. É a mesma situação do Pronto-Socorro Central de adultos. De acordo com Ramos, a secretaria estuda institucionalizar um sistema de triagem dos pacientes no PS Infantil atendendo os casos urgentes primeiro. “Criança com pneumonia ou correndo risco, será atendida primeiro. Uma eczema de assadura, pode esperar na fila”, aponta.

O sistema deverá ser implantado em breve. Ontem o secretário se reuniu com o Departamento de Urgência e Emergência para a implantação do método. Ramos ressalta que a população, antes de procurar o PSI, deve buscar orientação e atendimento nas unidades básicas.

Susana Aparecida Rodrigues tinha uma consulta agendada para sua filha, Ana Laura, 3 anos, na manhã de ontem na unidade de saúde do Mary Dota. Chegou às 7h na unidade de saúde, quando ficou sabendo que o pediatra tinha deixado de trabalhar lá. Ela teve de voltar às 12h30 para tentar encaixar a consulta de sua filha em alguma desistência. Era por volta das 16h quando conseguiu ser atendida. “É uma falta de respeito. Vi quatro mães tentando encaixar as consultas da manhã para o período da tarde”, critica.

A história de Kátia Aparecida Gomes Batista é parecida. Ela levou a filha Sara Lívia, de 3 meses, para uma consulta às 7h30, mas teve que voltar mais tarde. “É muito difícil sair tão cedo de casa com um bebê e depois ter que voltar. O bairro é muito grande para ficar com pediatra a menos”, aponta. Um outro problema foi quanto a um clínico geral que não foi trabalhar ontem.

Gilson Pompeu e Terezinha de Oliveira tinham uma consulta marcada para o final da tarde, mas tiveram que voltar para a casa. “A gente precisa tanto, e não temos médico”, lamenta Oliveira.

Moradora do bairro, a doméstica Nilza Salvador, lamenta a saída dos especialistas. “É complicado ficar sem médico aí. Se não repor logo, o pessoal começa a ir para o Pronto-Socorro Central”, conta. Marilda Abraão encontrou dificuldades para marcar o atendimento para o filho, mas aponta que o tratamento para a sua hipertensão não será prejudicado. “Ou eu fico na espera por uma desistência, ou eu marco consulta para meu filho daqui um mês. Mas o meu tratamento está em dia e o atendimento tem sido muito bom”, avalia.

Convocação

Até o final dessa semana, a Secretaria de Saúde pretende convocar 12 médicos aprovados no último concurso. Serão chamados dois cirurgiões, um pediatra, quatro ortopedistas e cinco clínicos gerais. “Pelo menos três clínicos já aceitaram e serão contratados em breve”, aponta Ramos. O secretário não pôde precisar a unidade que receberá os especialistas. “Assim que chegarem, vamos verificar qual unidade está mais desprovida de médicos para encaminhá-los”, explica.

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Banco de dados

Outro projeto da Secretaria Municipal da Saúde é a distritalização do atendimento. De acordo com Mário Ramos, titular da pasta, até o final do ano o projeto será iniciado. O objetivo é reunir dados da Secretaria do Bem-estar Social (Sebes), Educação e Saúde e com base nas definições do Plano Diretor, delimitar áreas na cidade que teriam metas e indicadores a serem cumpridos.

“Vamos analisar o Plano Diretor, quadro epidemiológico, quadro populacional, aparelhos de saúde e dados da Educação e da Sebes disponíveis. É um desafio técnico bem interessante”, avalia Ramos. “A saúde também depende de outros fatores, como meio ambiente, bem-estar social, esporte e lazer, educação”, observa o secretário.