09 de julho de 2026
Articulistas

A Copa do Mundo


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De quatro em quatro anos nos é oferecido o prato cheio da Copa do Mundo, com todos os requintes e contornos necessários para que seja algo de emocionante para alguns e algo de decepcionante para muitos. Ao final, somente um País será campeão, esperamos que seja o Brasil. Tal proeza vai exigir dos nossos jogadores muita luta e de nós, algumas reflexões que nos ajudem na vida de cada dia.

A imagem do esporte não é alheia à Palavra de Deus. O apóstolo Paulo recorre ao estádio para demonstrar que muitos correm para ganhar uma coroa que apodrece. No seu tempo, não havia troféu de honra, mas ao vencedor era dada uma coroa de folha de louro, uma planta cujas folhas estão sempre verdes e que manifestam a perenidade da glória. Era até mais cômodo, mais em conta e não tinha o perigo de que fosse roubada e derretida como aconteceu com a Taça Jules Rimet, surrupiada por ladrões, mais amantes do ouro do que do esporte. Mas o apóstolo nos adverte que devemos correr para ganhar uma outra coroa que não perece, que é a vida eterna.

Não há dúvida de que o esporte é algo de bonito, emocionante de ver, quando não somos capazes de praticá-lo nós mesmos. Como o ser humano é capaz de superar recordes por ele mesmo estabelecido! O esporte é algo de belo, puro, que revela toda a capacidade da vida. Por isso há uma frase que sintetiza todo o espírito esportivo: “Que vença o melhor”.

Hoje, infelizmente, não se joga pela alegria de uma vitória, mas sim em vista de um comércio que envolve bilhões de dólares ou de euros em todo o planeta. O que manda não é mais a liberdade, a alegria, a diversão, a beleza do esporte, mas o dinheiro.

Era uma vez, mas não é mais, que o futebol era uma paixão e não um comércio. Jogava-se pelo amor à camisa do Pais o qual se defendia. Hoje, o prêmio pela vitória, “o bicho”, é estabelecido antecipadamente.

Afinal, futebol dá dinheiro para muita gente, é continuidade do que diziam os políticos romanos, não menos maquiavélicos que os políticos de hoje. “Dar ao povo o que ele quer: pão e circo”.

Circo temos de sobra, pão está faltando em muitas mesas...

O autor, Gino Crês, é professor em Bauru