A mudança na postura do presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), vice-prefeito Renato Purini, sobre a situação do serviço de coleta de lixo, em confronto com o prefeito de Bauru Tuga Angerami (sem partido), que também mudou, repercutiu entre os vereadores ontem. Os parlamentares querem justificativas sobre as mudanças nas justificativas pró e contra a terceirização.
Para o vereador João Parreira (PSDB), não aconteceu nada nos últimos meses que justificasse a mudança. “Entendo que o homem público deve ter posições transparentes e coerentes. Ele pode até mudar de opinião, desde que essa mudança seja acompanhada de uma boa justificativa”, disse.
Favorável à terceirização da coleta de lixo, Parreira acha estranho o fato de Purini mudar de opinião agora. O vereador lembra que o presidente da Emdurb tentou fazer a terceirização, em caráter de urgência, logo que o prefeito Tuga Angerami assumiu, mas não conseguiu por causa de intervenção do prefeito. “Eu defendo a terceirização, mas entendo que a administração da coleta deva ser transferida para duas secretarias municipais, pois acho que a Emdurb não tem condições de administrar. O que mudou?”, questionou.
Já o vereador José Carlos Batata (PT) afirmou que há alguns nós que precisam ser desatados na questão do lixo. “Esse lixo já não cheira bem faz tempo, agora está fedendo. Primeiro, qual é o pano de fundo da discórdia? É a Marquise. Desde que se falou em terceirização, a Marquise já estava pronta para atuar na cidade”, disse Batata, em referência à empresa de coleta de lixo contratada no começo de 2005, quando decidiu-se pela terceirização em caráter de urgência.
Outro parlamentar que citou a Marquise foi Marcelo Borges (PSDB), que usou os mesmos termos do colega petista ao falar sobre o assunto. “O lixo em Bauru não cheira bem desde o início, quando foi assinado o contrato de emergência com a Marquise”, disse.
Para o tucano, fica a impressão que o prefeito e o presidente da Emdurb estão disputando. “Parece que tem uma briga envolvendo essa questão do lixo, e nós precisamos tomar cuidado”, frisou.
O vereador Arildo Lima Júnior (PP) também quer saber os motivos que levaram o prefeito Tuga Angerami e o presidente da Emdurb a mudarem de idéia. “Por que o prefeito quer terceirizar se o presidente da Emdurb diz que a empresa tem capacidade de gerir a coleta de lixo?”, questionou.
Lima destacou que a questão precisa ser esclarecida de forma clara, para que não pairem dúvidas a respeito do assunto. “A terceirização está sendo proposta em cima de uma visão administrativa ou é política de governo? Nós precisamos saber”, comentou.
Argumentos sólidos
O líder do prefeito na Câmara, Antônio Faria Neto (PDT), saiu em defesa da terceirização e do prefeito Tuga Angerami e minimizou a divergência entre ele e Renato Purini. Para o vereador, é uma situação normal de governo. “Acho normal haver posições divergentes entre um secretário, ou um presidente de autarquia, e o prefeito”, disse.
Segundo o vereador, o Município não tem condições de arcar com a coleta de lixo, principalmente porque para realizar o serviço há necessidade de renovação da frota de caminhões.
Para Faria, a única possibilidade de não terceirizar o serviço de coleta é o presidente da Emdurb apresentar argumentos sólidos de que a empresa tem condições de realizar o serviço. “Se o Renato apresentar esses argumentos dizendo que dá para fazer, tudo bem. Mas eu não acredito. Como vai renovar a frota com uma dívida de R$ 30 milhões?”, questionou.
O vereador argumentou que em várias cidades a coleta de lixo é terceirizada, e o serviço é satisfatório. “Respeito o Renato, mas acho difícil a cidade manter a coleta. Temos que atender melhor a população e a solução viável é terceirizar”, ressaltou.