11 de julho de 2026
Internacional

Irã poderá enriquecer urânio no futuro se suspender agora

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Teerã - Diplomatas que tiveram acesso ao pacote oferecido ao Irã, em troca da suspensão de seu programa nuclear, revelam que a proposta avança em um ponto antes impensável para o grupo das seis potências que a apresentou: o país islâmico não seria mais obrigado a abrir mão, em definitivo, do enriquecimento de urânio.

Mas essa abertura dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França), aos quais se agregou a Alemanha, está condicionada a garantias de que o programa terá finalidades exclusivamente pacíficas. Isso seria verificado, tecnicamente, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A agência seria encarregada de “instaurar um clima de confiança” multilateral que o Irã não inspira desde 1979, com a criação do regime islâmico. A desconfiança ocidental se devia ao fato de, por 18 anos, aquele país ter desenvolvido sigilosamente tecnologia atômica. O temor de que estivesse atrás da bomba surgiu em 2002, a partir do alarme de um grupo de dissidentes.

Mas, para se beneficiar no futuro da retomada de seu programa de combustível, o Irã deve interromper de imediato o enriquecimento de urânio. Javier Solana, o chefe da diplomacia européia que foi o portador do plano, entregue anteontem em Teerã, disse que qualquer negociação será apenas iniciada com a suspensão da produção de combustível. Posição semelhante foi expressa em Washington pelo porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack.

Em Teerã, a única informação liberada ontem pelo governo era a de que estava “estudando o plano com atenção”. Apesar do acúmulo de indícios de uma solução diplomática para a crise, o que contornaria as punições que o Conselho de Segurança se dispõe a votar, a última palavra cabe ao dividido regime iraniano, onde parte da hierarquia xiita defende o prosseguimento do confronto.

Uma das provas do ambiente conciliador foi dada pela Alemanha, voto vencido na reta final de redação do pacote. Ela aceitaria que, durante a negociação, o Irã enriquecesse urânio em pequena escala. O diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, concordava com essa fórmula, argumentando que dificilmente Teerã interromperia uma atividade na qual é bem-sucedido.