09 de julho de 2026
Internacional

Encontrado ecossistema datado do início da vida na Terra

Folhapress
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Pilbara - Encontrar um fóssil de 3,5 bilhões de anos, a primeira evidência direta de vida na Terra, é um evento raro. Descobrir um ecossistema inteiro com essa idade, então, é quase inacreditável. Tão inacreditável que levou três anos para que cinco cientistas australianos conseguissem provar sua existência.

Os pesquisadores fizeram um mapeamento inédito de uma formação rochosa emblemática em Pilbara, Austrália, formada por estromatólitos. Grosso modo, estromatólito é uma rocha formada por tapete de limo produzido por micróbios no fundo de mares rasos, que se acumula até formar uma espécie de recife. Já se conhecia há mais de 20 anos a presença de estromatólitos no chamado sílex de Strelley Pool, uma formação rochosa de Pilbara datada do início do Período Arqueano (cerca de 3,5 bilhões de anos atrás).

Alguns cientistas sugeriram que aquele sílex tivesse origem biológica. Seria a evidência fóssil mais velha de vida. Essas afirmações eram contestadas por pesquisadores que diziam que os estromatólitos haviam sido formados por chaminés vulcânicas, sem envolver interação com seres vivos.

O tira-teima coube ao grupo liderado pela geóloga Abigail Allwood, da Universidade Macquairie. Sua missão foi ir a campo inspecionar uma seção de dez quilômetros da formação Strelley Pool. “Gastamos três anos, muita sola de sapato e muito pneu de 4x4 para identificar e ter acesso aos afloramentos mais remotos”, disse.

O ponto crucial do levantamento foi a identificação de pelo menos sete tipos diferentes de estromatólito em Pilbara. “O que nós temos não é mais um fóssil a dar evidência de que a vida existiu naquela época, mas um ecossistema inteiro que dá uma visão real da vida primitiva”, disse Allwood. O que pode ter implicações para as teorias sobre a origem da vida.