10 de julho de 2026
Cultura

Tombamento não agrada vereadores

Por Marcelo de Souza | Com Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

A possibilidade de transformar a chácara onde funcionava o bordel de Eny Cezarino, conhecida popularmente como Casa da Eny, em patrimônio arquitetônico ou histórico-cultural não agrada alguns vereadores de Bauru.

A idéia do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac), de tombar a “Casa”, encontra resistência nos parlamentares por diversas razões, mas a principal delas é o fato de o local ter sido, conforme os vereadores, destinado à prostituição.

O vereador João Parreira (PSDB), que é evangélico, afirmou que o local deveria ser “derrubado e não tombado” como patrimônio. “Determinadas histórias não devem ser relembradas. Agora se eles acham que a prostituição é algo que deve ser imortalizado, façam, mas não existe a menor razão em tombar um lugar que servia para prostituição”, comentou.

Para o vereador Arildo Lima Júnior (PP), também evangélico, o assunto deve ser tratado independente da questão religiosa. Lima defende que sejam tombados locais que realmente serviram para enriquecer a história da cidade. “Acho que tombar algo é transformar em símbolo e não faz sentido transformar um lugar relacionado à prostituição em símbolo da cidade”, afirmou.

De acordo com ele, o codepac está exagerando. O vereador defende que o Conselho procure resgatar símbolos mais positivos para Bauru. “A cidade tem passado por situações complicadas e falar em tombamento da Casa da Eny é algo que não deveria estar em discussão. Precisamos resgatar símbolos moralmente elevados, o que não é o caso”, frisou.

Já o católico Marcelo Borges (PSDB) não aborda a questão sob o ponto de vista dos colegas, mas não vê importância histórica na Casa da Eny para justificar o tombamento. “Não sei se é tão necessário dar-se ao trabalho de transformar o lugar em patrimônio. Não é importante”, destacou.

O vereador tucano lembrou que o local onde funcionava o bordel, que o Codepac quer tombar, não representa o início da história de Eny Cezarino na cidade. “Não foi onde ela começou. Se fosse fazer algo tinha que ser no início. Ali não há essa importância”, disse.

Abstenção

Outro vereador católico, Antônio Faria Neto (PDT) prefere se abster quando questionado sobre o assunto. Segundo ele, os membros do Codepac têm mais condições de avaliar a importância ou não da Casa da Eny.

Faria lembra que quando era prefeito de Avaí e viajava para São Paulo, muitos políticos perguntavam a respeito do mais famoso bordel do País. “Eu não tenho argumentos para falar se deve ou não transformar em patrimônio. Se eles entendem que é importante, acho que não tem problema”, salientou.