07 de julho de 2026
Geral

Bauru perde plasma do sangue doado

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O plasma é a parte líquida do sangue. Quando processado, fornece produtos que são utilizados para o tratamento de uma série de doenças. Até o ano passado, uma empresa privada recolhia o plasma depositado nos bancos de sangue da região de Bauru e o mandava para ser processado fora do País e depois trazia os hemoderivados de volta. Quando essa companhia deixou de atuar, o plasma começou a acumular nos hemonúcleos, inclusive no de Bauru. Com validade de um ano, os produtos que expiraram o prazo são jogados fora.

De acordo com Telma Cristina de Freitas, diretora do Hemonúcleo de Bauru, o País não possui indústrias que processem o material. “O Brasil ainda está montando uma fábrica de hemoderivados a partir do plasma”, conta. “Teve uma época que uma empresa chamada Octafarma tinha um acordo com o Ministério da Saúde e levava o plasma para a França onde era processado e trazido de volta. Faz um ano que o acordo terminou. Agora, quando o plasma vence, é jogado fora”, explica.

Menos na semana passada, quando uma equipe da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recolheu o plasma estocado no hemonúcleo.

De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH), vinculada à Associação Médica Brasileira, a preocupação com o estoque de plasmas nos hemonúcleos do Brasil é grande. A SBHH denuncia que enquanto crescem os estoques em câmaras frias, os derivados do plasma estão sendo importados pelo governo brasileiro ao custo de aproximadamente US$ 100 milhões por ano.

Desde 2001, o Governo Federal está investindo no “Programa Nacional de Hemoderivados” que pretende processar o plasma excedente no País e implementar indústrias de fracionamento do material, buscando a auto-suficiência em hemoderivados. Com o processamento, o plasma obtido a partir do sangue total, pela separação e congelamento, dentro do período de oito horas após a coleta é utilizado em pacientes com deficiência de fatores da coagulação e com deficiência de proteínas C,S e AT III.

Doações

Ontem, oito alunos de odontologia da Universidade do Sagrado Coração (USC) promoveram uma campanha de doação de sangue para aumentar o estoque do hospital Beneficência Portuguesa.

Até as 17h, 12 pessoas contribuíram com a campanha, oito foram barradas na entrevista seletiva. No período da tarde, as alunas Elaine Lourenço, Juliana Pita e Marcela e Vivian Chiaccio, coordenavam as doações.

Essa é a segunda iniciativa de alunos da USC nesse ano. A primeira, realizada mês passado conseguiu 58 doações. “Estamos em semana de prova, então o pessoal não fica muito na faculdade”, observa Lourenço. A campanha faz parte da disciplina Programas de Cidadania da USC. Todos os doadores que participaram ontem passarão a integrar o cadastro do Hemonúcleo de Bauru.

“Doações de sangue sempre são bem-vindas”, afirma Telma Cristina de Freitas, diretora da unidade. “Iniciativas como essa são muito boas porque, depois de doar uma vez, a pessoa se habitua. Para nós é muito interessante”, avalia. Todos os dias, o Hemonúcleo recebe cerca de 70 doações.