Teerã - O Irã reduziu a velocidade do processo de enriquecimento de urânio no último mês, mas retomou o ritmo novamente no mesmo dia em que recebeu um pacote de incentivos criado para persuadir Teerã a abandonar esta tecnologia, informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ontem.
Os inspetores da AIEA descobriram também novos traços de urânio altamente enriquecido em alguns equipamentos no país persa. As análises das amostras “tiradas de alguns equipamentos de uma universidade tecnológica em janeiro de 2006” permitiram comprovar a presença “de uma pequena quantidade de partículas de urânio natural e de urânio altamente enriquecido”, segundo o informe ao qual as agências de notícias tiveram acesso.
O urânio altamente enriquecido é componente indispensável ao armamento nuclear. Os inspetores da AIEA ressaltaram, no entanto, que a descoberta de restos de urânio altamente enriquecido em equipamentos no Irã pode se tratar de contaminação de equipamentos importados, não produzidos localmente.
Segundo um funcionário de alto escalão da agência, a contaminação demonstra um nível suficiente para o uso de urânio em outras aplicações perigosas.
Estes vestígios viriam de equipamentos da antiga instalação militar de Lavizan, que os iranianos destruíram em 2004 após o pedido da AIEA. Teerã afirma que não houve nunca atividades nucleares em Lavizan.
O relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) também indicou que os inspetores nucleares tiveram pouco progresso ao tentar obter mais informações sobre outros aspectos preocupantes da atividade nuclear desenvolvida por Teerã.
O documento de três páginas divulgado ontem pela AIEA ressalta que o Irã ainda se recusa a responder a questionamentos a fim de esclarecer declarações do governo iraniano. Entre elas, está uma feita pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad que disse que seu país realizou testes para acelerar o processo de enriquecimento de urânio com centrífugas modernas.
O documento da AIEA diminui as esperanças de uma interrupção rápida do enriquecimento, como exigem os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (CS) da ONU (EUA, França, Reino Unido, China, Rússia) e a Alemanha.