10 de julho de 2026
Política

Prefeito revoga terceirização do lixo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O prefeito de Bauru, Tuga Angerami (sem partido) divulgou, ontem à tarde, sua decisão de revogar a licitação de terceirização da coleta de lixo, depois que o JC apontou que depoimentos revelavam eventual doação de campanha por empreiteira do ramo, sem contabilização junto à Justiça Eleitoral, em 2004. As informações apontadas pelo jornal ainda levaram o chefe do Executivo a cancelar entrevista coletiva, marcada por sua assessoria para ontem à tarde, quando iria apresentar dados sobre a situação financeira atual da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).

Angerami não prestou esclarecimentos sobre a suposta doação de campanha. Já o vice-prefeito e presidente da Emdurb, Renato Purini, atendeu à reportagem, mas também preferiu não se manifestar sobre a reunião em hotel de São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2004, onde ele, junto com o ex-diretor de Limpeza da Emdurb, Jorge Monteiro, acompanharam as negociações para a contribuição à aliança política, conforme os depoimentos colhidos pelo JC.

Com o recuo de Tuga em relação ao processo de terceirização do lixo, Purini reassume, em definitivo, o papel de manter os serviços através da empresa municipal. Conforme nota oficial distribuída pela assessoria de imprensa do Executivo, “a decisão de terceirizar a coleta de lixo foi tomada com base na constatação de que a cidade estava suja e de que a Emdurb estava com a frota abandonada, com prejuízo acumulado de R$ 30 milhões, sem condições de investimento e sem crédito para obtenção de empréstimos, situação similar à da Prefeitura Municipal”.

O Executivo argumenta que o processo de terceirização foi acompanhado da formação de uma comissão de licitação com representantes da sociedade organizada, que teriam a tarefa de acompanhar e participar de todas as etapas do processo. “Ainda assim, nos últimos dias foram veiculadas notícias que colocam sob suspeição a lisura do processo licitatório”, traz a nota.

O governo defende que a licitação foi transparente, sem explicar, entretanto, qual a relação entre os depoimentos de eventual doação à campanha eleitoral de Tuga-Purini e o contrato de emergência anunciado em janeiro de 2005, para o serviço do lixo, onde foi informado que a empreiteira Marquise iria assumir a tarefa. A emergência foi suspensa em seguida, em razão de reação social contrária à terceirização.

Durante a reunião, Tuga Angerami e Renato Purini iriam anunciar a decisão de revogar a licitação aberta pela Emdurb e comunicariam que seria encaminhado projeto de lei à Câmara Municipal solicitando autorização para transferir a coleta de lixo da empresa municipal para a prefeitura, o que também foi cancelado pelo governo, informa a nota.