A maioria dos prestadores atendidos pela Central de Penas e Medidas Alternativas (CPMA) é homem, cuja faixa etária varia entre 18 e 25 anos. Apenas 25% são mulheres, sendo que os idosos representam a minoria. Os mais abastados também recorrem ao benefício. A maioria, no entanto, não tem dinheiro sobrando.
É o caso de um rapaz entrevistado pela reportagem, que pediu para ter o nome preservado. Ele trabalhou numa rede de lanchonetes e num shopping. Passou a prestar serviços após ser flagrado com uma habilitação falsificada. Em função do problema, dedica quatro horas diárias à jardinagem na Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes.
“Por um lado, fiquei arrasado (de ter de prestar serviços). Por outro, aliviado. É uma punição, mas é melhor do que ficar preso. Além disso, estou aprendendo uma profissão”, conta. Além de conhecer um pouco mais sobre como lidar com plantas, ele aproveitou a oportunidade para fazer curso de violão.
“Sempre adorei cantar e tocar. Neste caso, dá para falar que há males que vêm para o bem. A prisão, ao invés de educar, piora. Tem gente que não tem má conduta, mas pela convivência, se transforma. Sem contar que arrasa com qualquer possibilidade de emprego”, comenta. Ele admite que ficou chateado em cumprir a pena, mas se estivesse preso, teria ódio – sentimento que, na opinião dele, impediria a ressocialização.
Por compartilhar de pensamento semelhante, o Instituto Ambiental Vidágua se credenciou à central. “Ao invés de ocupar lugar em presídio ou cadeia superlotada e aprender com a criminalidade, abre caminho para que possam conquistar emprego”, afirma o biólogo da entidade, Ivan Ferrazoli de Marche. Ele cita o caso de um rapaz que prestou serviços no instituto e recebeu uma oferta de trabalho.
O serviço prestado é bem-vindo no Vidágua porque a entidade conta com a colaboração de voluntários e estagiários. Atualmente, 17 entidades estão cadastradas junto à central e 60, ao patronato. As vagas são oferecidas apenas em entidades sem fins lucrativos. De acordo com Leide, os prestadores não tomam lugar de mão-de-obra contratada porque não mantêm rotina típica de empregado.