09 de julho de 2026
Esportes

Atletas criticam estilo de antecessores

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Königstein - No Brasil de Parreira, Cafu, Émerson e Roberto Carlos, a liderança não é conseguida no grito. A começar pelo técnico. Sem a presença de um Dunga, marcado por sua liderança nas Copas de 1994 e 1998 e que não poupava a histeria na hora de chamar a atenção dos companheiros, a atual Seleção é polida para resolver problemas.

Se Parreira não usa palavrões para reclamar de seus atletas, como fazia Luiz Felipe Scolari em 2002, Cafu, o atual capitão, não tem agora um colega que solta a voz como Roque Júnior fazia no Mundial passado.

O perfil dos líderes do time de 2006 ajuda a seleção a conviver em paz e contornar, com mais facilidade, os atritos. “Aconteceu no campo, acabou. Dentro do vestiário tudo terminou”, afirma o volante Émerson, que chegou a ser capitão com Felipão, mas foi cortado.

Ao deixar o time, Cafu ganhou a faixa, mas Roque Júnior era o líder que berrava em campo. O zagueiro ficou fora da lista de Parreira. “Acho que isso (gritos) depende do caráter. Eu tenho um modo diferente. Conversando, as pessoas vão entender melhor”, explica Émerson, que elogia a conduta dos outros líderes do time. “Cafu chama, conversa, o Roberto Carlos também. Eu acho que funciona assim. Você não pode colocar um erro em evidência”, avalia.

Cafu, que completou 36 anos nesta semana e disputará sua quarta Copa do Mundo, é um dos mais queridos do grupo. “Tem gente que fala demais e fala besteira”, disse.

Roberto Carlos tem sido o maior porta-voz do time na preparação para a Copa - é o que mais tem participado das entrevistas. E defendeu a diminuição da exposição dos atletas na mídia. “Nós, os mais experientes, temos de ajudar a tirar a responsabilidade dos mais jovens”, disse o lateral, 33 anos.

O pouco barulho da Seleção pode ser visto até no gol, posição em que os atletas geralmente soltam a voz. O titular, Dida, é homem de poucas palavras, dentro e fora de campo. “Acredito que a experiência conta sempre, você pode conversar”, afirmou o goleiro.

Parreira relaciona o comportamento de seus atletas à experiência do grupo, que tem média de idade de quase 30 anos. “Quando assumi a Seleção, não sabia o que poderia esperar desses jogadores, que já são muito experientes e conquistaram quase tudo. Mas nunca vi um grupo tão concentrado e determinado em vencer”, falou.