Gaza - Forças israelenses atacaram o norte da Faixa de Gaza ontem, matando dez palestinos, sete deles civis que estavam em uma praia. O ataque teve o maior saldo de mortos nos territórios desde o final de 2004, informaram autoridades palestinas.
A violência elevou ainda mais a revolta da população ontem, quando mais de dez mil pessoas participaram, em Rafah, do funeral de Jamal Abu Samhadana, chefe de uma força de segurança do Hamas na Faixa de Gaza morto ontem por Israel.
As sete pessoas, incluindo cinco da mesma família, foram mortas em um bombardeio em uma praia, que fontes palestinas alegam ter sido realizado a partir de navios israelenses. Três crianças morreram enquanto brincavam na areia. Uma irmã delas, que estava nadando no momento, escapou.
Cerca de 20 pessoas ficaram feridas no ataque, que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, classificou de “massacre sangrento”.
O Exército de Israel afirmou que vai investigar o bombardeio. O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, declarou, em um hospital onde vítimas estavam sendo tratadas, que o incidente foi um “crime de guerra” e pediu a intervenção imediata da Jordânia e do Egito, ambos mediadores das negociações entre israelenses e palestinos.
As forças de segurança israelense estavam em alerta ontem devido ao risco de ataques em represália à morte de Abu Samhadana, líder do grupo armado palestino Comitês de Resistência Popular, segundo a rádio israelense.
Tensão
O novo recrudescimento da violência acontece em plena crise política interna palestina, depois de Abbas ter fixado para 31 de julho a realização do referendo que prevê o reconhecimento do Estado de Israel, ao que o movimento islâmico Hamas se nega a apoiar.
O Exército israelense realizou ontem outros três ataques aéreos contra ativistas palestinos, entre eles membros do Hamas, partido encarregado da direção do governo palestino.
Três palestinos, membros de uma mesma família, foram mortos em um ataque em Beit Laia (norte), segundo fontes médicas, atingidos por mísseis israelenses. Uma fonte militar israelense afirmou que os três mortos, e uma pessoa que ficou ferida, faziam parte do mesmo grupo extremista, que acabava de disparar foguetes caseiros contra o território israelense.
Segundo fontes do Exército, por volta das 15h (9h de Brasília), os militantes lançaram um foguete contra um campo em Sderot (sul de Israel). Um dos militantes, que estava do lado de fora de um veículo, foi morto logo após o lançamento do foguete.
Os outros dois palestinos deixaram o local em outro carro, mas foram atingidos por um segundo míssil. No terceiro ataque aéreo israelense, dirigido contra um grupo de ativistas do Hamas, pelo menos um palestino ficou ferido.
O quarto ataque, contra um carro que circulava no norte da Faixa de Gaza, provocou dezenas de feridos.
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Funeral
Gaza - Mais de 10 mil pessoas participaram do funeral de Abu Samhadana, em Rafah, ontem. Entre a multidão, estavam líderes do grupo extremista Hamas, como o porta-voz Sami Abu Zuhri e o ministro do Interior, Saed Siam.
Abu Samhadana, 43 anos - que chefiava uma nova força de segurança do Hamas na Faixa de Gaza - foi morto em um ataque aéreo contra um campo de treinamento de extremistas em Gaza. Ele era acusado de diversos ataques com foguetes contra Israel e de um atentado contra um comboio do Exército americano na Faixa de Gaza, em 2003.
Ao menos outros três integrantes dos Comitês foram mortos no ataque de ontem e dez ficaram feridos. Em um comunicado, o grupo prometeu vingar a morte de Abu Samhadana. “Os sionistas e Israel abriram as portas do inferno com o assassinato de Abu Samhadana”, disse o porta-voz dos Comitês, Abu Abir.
A morte de Abu Samhadana, um dos mais proeminentes líderes dos Comitês na Faixa de Gaza, pode levar a uma nova escalada de violência entre Israel e a ANP, inclusive com o engajamento direto do Hamas em ações terroristas contra Israel.
“Este é um ato criminoso, e os palestinos têm o direto de responder a ele de todas as maneiras”, afirmou Khaled Abu Hilal, porta-voz do Ministério palestino do Interior.
Segundo o secretário de gabinete, Ghazi Hamad, Israel “sabe que Abu Samhadana trabalha para o governo e, com sua morte, envia uma mensagem de que todos os membros (do governo palestino), desde o premiê até todos os funcionários, são alvos em potencial”.