Madrugadas frias, ventos gelados, pessoas agasalhadas, consultórios médicos repletos de pessoas com gripes ou resfriados. O inverno ainda não começou, mas as temperaturas mais baixas das últimas semanas trouxeram à mente dos bauruenses a lembrança de que a nova estação está próxima.
A chegada tem data e hora certas para acontecerem. De acordo com os astrônomos, o inverno do Hemisfério Sul começa pontualmente às 9h 26 do dia 21 de junho. Segundo Marcos Sanches, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais (Inpe), as pessoas não precisam esperar qualquer mudança brusca de tempo nesse horário.
“Essa data marca o início de um período que os astrônomos chamam de solstício de inverno, que representa os três meses do ano em que o hemisfério terá menor incidência de raios solares”, explica. O dia 21 de junho, segundo o meteorologista, é o dia do ano em que menos o sol irá aparecer (menos de 12 horas, segundo Sanches).
Em todo caso, essa incidência de luz definitivamente não é determinante para que faça ou não do frio na região central de São Paulo, onde Bauru está localizada. Segundo Rita de Cássia Cerqueira, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp (IPMet), o principal fator responsável pela queda das temperaturas na região Sudeste do País é a passagem de massas de ar frio.
“É difícil a gente fazer uma previsão para o inverno inteiro, pois tudo depende da vinda das frentes frias”, afirma ela. “A única maneira de anteciparmos mudanças no tempo é com o acompanhamento diário das condições climáticas”, completa Sanches.
Seja como for, Sanches alerta os agricultores para que tomem cuidado com a chegada das massas de ar. “Eles devem estar preparados para a vinda ocasional de um frio intenso, que poderia provocar geadas. Isso, com certeza, causaria danos às plantações”, diz.
Enquanto o frio intenso não chega, o inverno fora de época já mostra suas conseqüências em Bauru. Nos bairros carentes, a falta de estrutura nas moradias, aliada à baixa renda que as pessoas dispõem para sobreviver, faz com que se agrave mais ainda a situação dos habitantes desses lugares.
Casas cheias de frestas, feitas com materiais inadequados, são incapazes de oferecer qualquer proteção contra o inverno. Na maioria dos casos, a única coisa que resta aos moradores dos bairros pobres é contar com doações, como a da Campanha do Agasalho, e torcer para que o frio não seja tão rigoroso.
O inverno não traz preocupação apenas para as pessoas carentes. Nessa época do ano, hospitais e postos de saúde vêem seu movimento aumentar, em decorrência das doenças respiratórias, em sua maioria relacionadas à queda na temperatura.
Além da rede municipal de saúde, consultórios e clínicas particulares também registram aumento no movimento de pacientes. “Se dependesse de mim, faria frio o ano todo”, brinca o médico Arnaldo Sant’anna, especialista em doenças respiratórias.
Inverno não é apenas sinônimo de tristeza e preocupação. Muitas pessoas são aficionadas pela estação e por tudo o que ela pode oferecer. Um dos maiores atrativos da estação são os pratos quentes, como sopas e caldos. Para os fãs do inverno, a possibilidade de apreciar uma iguaria quente, durante uma noite fria, num local aconchegante, faz com que elas deixem de lado o desconforto que a estação pode trazer.