09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Trabalho nem sempre é garantido

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A partir do estudo da FGV, o Guia Você S/A divulgou a relação das 100 melhores cidades do País para se trabalhar. Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que avaliaram apenas a capacidade que os municípios têm para o desenvolvimento de carreiras profissionais. Seja como for, não basta a universidade formar mão-de-obra se não houver mercado para absorvê-la.

A avaliação não provoca tantas divergências quanto a capacidade de Bauru concentrar empresas que garantam vagas de emprego. Para o diretor adjunto do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Jair Manfrinato, apesar da pouca infra-estrutura ofertada ao segmento pela administração municipal, a cidade tem atraído indústrias.

Prova disso, cita ele, é o aumento de aproximadamente 38% na arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 2004 para 2005. “O crescimento do mercado de trabalho não foi tão significativo quanto a arrecadação do ICMS, mas com o tempo vai melhorando. Já demos um salto. Estamos indo bem”, diz.

Logística

Ele ressalta como ponto positivo a logística da região de Bauru e seus quatro modais. “Temos aeroporto (além da ferrovia, rodovia e hidrovia). Com o tempo, os investimentos vêm. Não é do dia para noite”, explica. Por essa razão, para o economista Wagner Ismanhoto, os frutos da instalação do aeroporto internacional ainda estão restritos ao campo das perspectivas.

“O que determina se uma cidade é boa ou não para trabalhar é ter empregos e investimentos. Indústria, comércio forte. A universidade forma mão-de-obra, mas se o mercado não absorver, vão ter de buscar colocação em outro ponto”, comenta. Assim como Manfrinato, ele reitera que novas vagas de emprego e melhora na qualidade de vida dependem de investimento, especialmente no setor produtivo.

“Não estou enxergando isso por aqui ultimamente”, enfatiza Ismanhoto. Ainda assim, Bauru leva vantagem em relação a outras cidades. A avaliação é do coordenador da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Francisco Wagner Monteiro, para quem a cidade sofreu menos com as privatizações.

“As empresas que foram vendidas e as que ficaram com o Estado terceirizaram (a mão-de-obra) para reduzir custos. É a precarização do trabalho. Mas em Bauru, poucos serviços foram privatizados. O mercado de trabalho não é tão ruim porque tem opções. Dá para sobreviver”, garante.