O papel da convivência
Viver não é fácil, mas o mais difícil mesmo é conviver. O fato de sermos semelhantes e diferentes faz com que a compreensão seja um dos valores mais considerados.
Ser livre é ter consciência de que não se pode modificar o universo dos outros, mas apenas o seu próprio.
Na minha opinião, a vivência do casamento é quase o máximo da convivência, devido à sua estruturação e principalmente à sua intimidade.
Nesse tipo de convívio é quase impossível esconder detalhes pessoais, bem como é impossível você não desenvolver a paciência e a tolerância.
Por sua vez, um relacionamento entre dois sócios em uma empresa é muito parecido com as relações em um matrimônio.
Veja bem os pontos em comum:
· São obrigados a se conhecer em profundidade, ceder para evitar conflitos, se aceitar, se suportar, dividir lucros e prejuízos, ser unidos na dor e na alegria e, principalmente, cuidar da filha que é a empresa.
Agora, quando o marido e a esposa são sócios da empresa e trabalham juntos, o relacionamento tende à complexidade, com raras exceções.
Esse tipo de situação é muito comum nas pequenas empresas. Neste caso, é muito comum levar problemas de casa para a empresa e vice-versa.
Como o ambiente empresarial geralmente é tenso, devido a pressões de mercado competitivo, carrega-se para o lar muita tensão. De forma quase imperceptível no inicio, os papéis profissional e conjugal se misturam e se confundem.
Como no profissional predomina a razão, com características objetivas e frias, e no conjugal deve imperar o sentimento, se não ocorrer um discernimento entre os dois papéis, se instala a confusão.
As conseqüências disso podem ser desgastes e descontentamentos.
A abundância traz os seus perigos. Por ser um excesso, fora da zona de equilíbrio, pode gerar ilusões e, conseqüentemente, perda de visão da realidade.
Portanto, o excesso de convívio tem que ser muito bem administrado. Como?
Eu sugiro que, visando a proteção dos papéis, o casal dialogue e crie por escrito um código de ética. Exemplo: jamais pensar e falar de trabalho fora da empresa.
Detalhe importante: é de suma importância escrever o código, porque nós brasileiros, de maneira geral, somos indisciplinados e precisamos de constantes lembretes.
Pode parecer exagero fazer isso, mas não é. O trabalho, com todo o seu poder e fascínio, avança de forma atrevida na vida das pessoas, ocupando espaços da família, do social, do lazer e até da religião.
O risco do papel conjugal ser colocado em segundo plano é grande. E nós sabemos muito bem que o trabalho não consegue suprir a solidão afetiva. Não é verdade?
Sugestão de melhoria
Mesmo estando certo, nunca levante a voz para ninguém.
Davison de Lucas