Eles são de vários tipos e nacionalidades: irlandeses, japoneses, americanos... Entretanto, os mais tradicionais, famosos, apreciados e difundidos no mundo são os produzidos na Escócia, país onde essa atividade já é desenvolvida há mais de 500 anos. Mas apesar da existência secular, pelo menos no Brasil a cultura envolvendo o uísque ainda é recente e está praticamente engatinhando, uma das principais razões para justificar o surgimento e a continuidade de alguns mitos sobre os “scotchs”.
É o que afirma Eduardo Rotella, embaixador brasileiro de uma das marcas de uísque escocês mais conhecidas no País que veio a Bauru, na última terça-feira, especialmente para realizar uma palestra de orientação sobre a bebida numa iniciativa do Comprando Bebidas Nacionais e Importadas. “Foi um evento inédito no Interior de São Paulo, pois anteriormente o Eduardo só havia se apresentando em capitais espalhadas pelo País”, destaca Antônio Carlos Rocha, representante comercial da importadora da marca de uísque representada por Rotella.
Na ocasião, o embaixador abordou diversos temas relativos à bebida, como os diferentes tipos e composições, as regiões produtoras mais conhecidas e as principais características dos uísques, além de promover uma sessão de degustação com o público. Rotella também apresentou curiosidades e desfez mitos sobre a bebida que, em sua opinião, só teimam em ainda ser espalhados por causa da “jovialidade” da cultura do uísque no País.
“Ela é ainda muito recente e está começando a engatinhar, pois é algo que começou a se intensificar nos últimos dez anos, período marcado pelo aumento da diversidade das marcas no Brasil”, enfatiza. E completa: “Realmente ainda falta cultura de uísque no País mas, assim como os vinhos, as pessoas estão começando a se interessar e aprofundar os conhecimentos sobre a bebida.”
Entre as curiosidades e mitos destacados por Rotella, estão os relativos ao envelhecimento da bebida. “Poucas pessoas associam o fato de que quanto mais velho for o uísque, mais suave, macio e redondo ele será. E, diferentemente dos vinhos, os uísques só envelhecem em barris de carvalho, e não nas garrafas”, esclarece o embaixador, para depois acrescentar: “Já em relação à cor, quanto mais escuro ele for, mais velho ele será, pois significará que permaneceu mais tempo nos barris envelhecendo.”
Rotella chama a atenção, ainda, para o ato da aquisição do uísque, principalmente os denominados “oito anos”. “Essa foi uma designação surgida no Brasil que, muitas vezes, recebe denominação errada. Isso porque não significa que a bebida tem oito anos, mas sim até oito anos. Na Escócia, por exemplo, uma bebida só é considerada um uísque, por lei, após ser maturada em barris de carvalho por, pelo menos, três anos e possuir teor alcoólico mínimo de 40%, entre outras inúmeras características”, compara.
O embaixador também orienta os consumidores da bebida a não cometer alguns “pecados” na hora dos drinques. “Não se deve colocar muito gelo naqueles uísques mais envelhecidos porque irá diluí-lo muito e praticamente perderá suas características. Afinal de contas, o uísque é uma bebida especial que tem a capacidade de possuir uma série de sabores diferentes dentro de uma garrafa”, considera Rotella.
Ele também não recomenda a adição de substâncias que possam “estragar” o sabor da bebida. “Adicionar refrigerantes, como Coca-Cola e energéticos, é totalmente contra-indicado. O melhor líqüido para se misturar com uísque é a água”, finaliza o embaixador.