São Paulo - Receber metade do 13.º salário junto com as férias, no meio do ano, e aplicar o dinheiro é vantajoso para o trabalhador. Esse investimento, durante pelo menos cinco meses, pode engordar o valor do 13.º salário - a segunda parcela é paga pelas empresas até 20 de dezembro.
A vantagem está no fato de que o valor recebido em julho será descontado, em dezembro, pelo seu valor nominal, sem correção. Significa dizer que, se o trabalhador receber R$ 3.000,00 em julho, esse será o valor a ser descontado em dezembro. Se for sair em férias em julho, por exemplo, e antecipar o recebimento de metade do 13.º, o trabalhador poderá aplicar o dinheiro por cinco meses, até o início de dezembro.
Esse tipo de aplicação trazia mais vantagem na época da inflação elevada, quando era possível até dobrar o valor em poucos meses. Agora, entretanto, o ganho não tem a mesma magnitude, mas mesmo assim não pode ser desprezado. Embora não possam ser considerados espetaculares, os ganhos permitem que o trabalhador compre alguns presentes ou engorde a sua ceia natalina.
O professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho simulou aplicações em poupança e em fundos de renda fixa. Nos exemplos, foram consideradas aplicações no início de julho e resgate cinco meses depois, no início de dezembro, para dar tempo ao trabalhador de poder fazer as compras de Natal com tranqüilidade. Para a poupança foi estimado um rendimento de 0,7% ao mês, ou 3,549% em cinco meses.
Na renda fixa, o juro estimado é de 0,95% ao mês (já descontado o Imposto de Renda), ou 4,841% em cinco meses. Para a poupança, o ganho mínimo passa de R$ 100,00 se o 13.º recebido for de R$ 3.000,00. Se o valor recebido for de R$ 10 mil, o ganho pode superar R$ 350,00. No fundo de renda fixa os ganhos serão superiores a R$ 140,00 e a R$ 480,00, respectivamente.
Pagar dívidas
Outra opção de “investimento” para quem for receber a primeira parcela do 13.º salário nas férias é quitar dívidas, como crediário, cheque especial e cartão de crédito. Ainda que os juros no crediário não sejam tão elevados como os do cartão de crédito e do cheque especial, costumam ser maiores do que o rendimento obtido na poupança ou no fundo de renda fixa. Se for quitar a dívida de um crediário, o consumidor deve negociar para não pagar os juros das parcelas que serão antecipadas.
O pagamento de dívidas do cheque especial e do cartão de crédito traz mais vantagens financeiras, uma vez que nesses casos o juro é bem maior -na média, variam de 6% a 10%. Para o consumidor ter uma idéia do ganho, uma taxa de juros de 8% ao mês dobra em nove meses. Se for de 6%, crescerá 69% em nove meses; em um ano, também dobrará.