Rio - A Justiça do Rio de Janeiro estabeleceu ontem condições para aceitar a proposta do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) para a compra da Varig. Em leilão realizado na semana passada, o TGV foi o único a apresentar proposta pela Varig, que alcançou R$ 1,01 bilhão.
A oferta, entretanto, desagradou credores porque prevê o pagamento de metade desse valor (R$ 500 milhões) em debêntures (títulos privados) ou lucros futuros - ou seja, dinheiro que demoraria a chegar ao bolso dos credores. O juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, afirmou que o TGV tem até o meio-dia de quarta-feira para apresentar uma proposta que substitua esses R$ 500 milhões por uma forma de pagamento prevista no edital - que não contemplava debêntures.
O TGV teria, dessa forma, que pagar esses R$ 500 milhões em dinheiro ou em créditos a receber da Varig -os credores possuem esses créditos.
O grupo de trabalhadores também deverá comprovar que possui R$ 225 milhões em créditos da empresa para realizar o pagamento. O juiz também afirmou que não vai decretar a falência da empresa até quarta-feira e que aceitará a oferta do TGV caso essa condição seja cumprida. Ele não quis cogitar o que fará caso a proposta seja rejeitada.
Vôos cancelados
Subiu para 20 o número de vôos cancelados até a noite de ontem pela Varig. A empresa aérea confirmou que foram suspensos 16 vôos domésticos e quatro vôos internacionais (São Paulo-Buenos Aires, Buenos Aires-São Paulo, Rio-Buenos Aires e Buenos Aires-Rio). A Varig não informou o número de passageiros prejudicados, mas disse que todos foram reacomodados em aviões de outras companhias aéreas. A empresa também confirmou que no sábado e anteontem também teve de cancelar 16 vôos em cada um dos dias.
Segundo a Varig, a reprogramação da malha de rotas desde a última sexta-feira e problemas meteorológicos a obrigaram a suspender vôos. O presidente do conselho de administração da Varig, Humberto Rodrigues, afirmou que quatro aviões da companhia ficaram parados no último final de semana devido à decisão judicial.
Na sexta-feira passada, a juíza Karla Moskowitz, da Suprema Corte do Estado de Nova York, determinou que a Varig devolva à Boeing, a partir de hoje, sete aviões por falta de pagamento. Rodrigues negou que não haveria caixa para arcar com despesas como combustíveis e taxas aeroportuárias. A frota da Varig soma 60 aviões, mas só 46 estão em operação. “Tivemos alguns problemas operacionais ligados a manutenção, problemas operacionais e corriqueiros, e alguns problemas de ordem meteorológica”.
A Anac afirma, entretanto, que a Varig não apresentou nenhuma justificativa pelos cancelamentos até o momento. Procurada, a assessoria da BR Distribuidora, empresa que fornece combustíveis à Varig, não quis fazer nenhuma comentário sobre o assunto.