08 de julho de 2026
Geral

Índios terão incentivo para conservar identidade

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Os índios que vivem em aldeias têm o desafio constante de conseguir manter os costumes e a cultura. Os artesanatos – cestas, colares, instrumentos musicais, etc - continuam sendo uma maneira de resgatar a identidade e gerar renda para as famílias. Mas a matéria-prima é cada vez mais rara já que mesmo próximo das aldeias a natureza sofre com o desmatamento e escassez de recursos. Pensando em dar subsídio para que os indígenas não desistam da preservação de sua cultura, a Secretaria de Estado da Cultura lançou ontem o projeto piloto “Interação: Um incentivo à cultura indígena do Estado”.

Em quatro meses, serão investidos R$ 70 mil em 12 aldeias do Estado de São Paulo. O projeto abrange seis terras indígenas (Araribá, Vanuíre, Icatu, Rio Branco e Ribeirão Silveira) nas quais estão distribuídas as aldeias. Em Avaí (39 quilômetros de Bauru), por exemplo, na aldeia de Araribá vivem índios das etnias Terena e Guarani Nhandeva.

Cada aldeia terá um coordenador indígena escolhido pela própria comunidade. Já capacitado para desenvolver o fortalecimento da cultura, o coordenador indígena fará intercâmbio de informações com os auxiliares técnicos da Secretaria de Cultura.

O projeto é pioneiro no Estado porque, pela primeira vez, todo o conteúdo apresentado aos índios será realizando nas próprias aldeias.

“Os materiais usados para o artesanato, como o cipó, a taquara e a embuia (madeira) estão cada vez mais escassos. Nosso objetivo é fornecer material e outros subsídios necessários para a cultura não se perder”, explica a diretora técnica do departamento de formação cultural da secretaria do Estado da Cultura, Bernadete Passos. Em alguns casos, quando a matéria-prima ainda existe, é de má-qualidade – como a argila que contém impurezas. Por outro lado, o coordenador indígena terá que se adequar aos prazos e entregar relatórios para a secretaria. O projeto tem duração de quatro meses.

O coordenador do projeto Cássio Maximiano Cardozo de Mello Filho e a auxiliar técnica Rejane Martins Busch lembram como a idéia surgiu.

“Temos como base o excelente resultado do projeto ‘Trançados e Tramas da Arte Indígena Guarani’, entre 2001 e 2003”, diz Mello Filho. Foi um dos 700 projetos selecionados pela Fundação Getúlio Vargas em todo o Brasil. “Durante os anos de desenvolvimento do projeto, conhecemos as necessidades reais dos indígenas. Eles desenvolvem os artesanatos e querem preservar sua cultura, mas enfrentam dificuldades”, fala Busch.

No final do ano passado, durante um encontro de indígenas na capital do Estado, os técnicos da Secretaria de Cultura tiveram certeza da necessidade do projeto. “Eles (os índios) falaram abertamente das dificuldades de manter a identidade cultural. Percebemos que era necessário agir”, completa Busch.

Se der resultado, o projeto piloto se transformará em programa. “A idéia é que exista uma verba específica anual para desenvolvê-lo”, afirma Passos.