04 de abril de 2026
Polícia

Zona sul de Bauru se sente mais segura e a leste, mais insegura, aponta pesquisa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma pesquisa feita pelos alunos do curso de relações públicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou que os moradores da zona sul são os que se sentem mais seguros em Bauru. Em contrapartida, os residentes na zona leste, que compreende bairros como o Núcleo Mary Dota e Vila São Paulo, são os que mais sentem-se inseguros. O objetivo da pesquisa foi detectar a sensação de segurança da população de Bauru em relação aos serviços oferecidos pela Polícia Militar (PM).

A pesquisa foi realizada no final do ano passado e entrevistou 600 pessoas em seis pontos da cidade - locais onde estão as bases da PM Sul, Leste, Oeste, Sudeste, Noroeste e Norte. Os moradores do Centro ficaram em segundo lugar entre os que se sentem mais seguros e dos da zona sudeste, que envolve bairros como Jardim Redentor, Núcleo Geisel e Jardim Brasil, ficaram em segundo lugar entre os que têm maior sensação de insegurança.

A margem de erro da pesquisa, cujo resultado foi apresentado ontem, é de cerca de 4%. Os resultados vão subsidiar o trabalho da Polícia Militar, que promete rever conceitos e mudar comportamentos. Para a coordenadora da pesquisa, professora Célia Retz, os moradores da região sul se sentem mais seguros porque vêem, com bastante freqüência, a PM no bairro. “A pesquisa mostrou que 82% dos moradores entrevistados se sentem totalmente seguros ou parcialmente seguros, sendo que 31% deles têm a sensação de total segurança”, relata.

Na área central, onde a presença da polícia também é freqüente, o índice de sensação de segurança cai para 79%. “As pessoas não vêem a polícia com tanta freqüência quanto na zona sul: 76% se sentem parcialmente seguros e 3% totalmente seguros”, comenta. Na região noroeste, a sensação de segurança total é de 18% e a parcial chega aos 47%. Em contrapartida, a sensação de insegurança chega aos 35%, sendo que 3% se sentem muito inseguros.

Na área leste, os inseguros e muito inseguros somam 41%. A sensação de segurança total ou parcial chega ao índice de 59%. Na avaliação de Retz, o perfil do morador pode ter influenciado no resultado, uma vez que em alguns bairros a maioria dos entrevistados trabalha fora e não nota a presença da polícia. “Quando os moradores não notam a presença da polícia, há um alto índice de insegurança”, avalia.

Outra constatação da coordenadora da pesquisa é que a polícia continua sendo sinônimo de segurança. “A maioria dos entrevistados se sente mais segura com a presença da polícia, principalmente no locais abertos”, diz Retz. Para ela, a pesquisa não mostrou relação entre os crimes ocorridos nas diferentes áreas da cidade e a sensação de segurança revelada pelos moradores. “Até porque a sensação está relacionada ao que ela vê na mídia. Se eu vejo mais agressão e violência na mídia, eu também fico preocupado”, comenta.

Embora a sensação de segurança tenha uma estreita relação com a presença da polícia, 85% dos moradores entrevistados confessam que desconhecem o número do telefone da Base da PM localizada no bairro onde moram.

____________________

Mudanças à vista

O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Marcos Antonio Alves Miguel, disse que a pesquisa sobre segurança é de suma importância para nortear o trabalho da PM. “A PM não pode mais agir baseada no empirismo. São dados científicos importantes que vão mudar comportamentos”, disse.

Ele acha que ouvir a população, considerada o cliente da PM, é olhar a situação por outra ótica. “A pesquisa serviu para ouvir o nosso cliente. Vamos estudar os resultados. Eu quero saber o que a população acha do nosso trabalho”, afirmou. A mostra vai subsidiar mudanças de alguns conceitos e servir para um redirecionamento de território, além de alocar o efetivo para aqueles locais onde a população se sente mais insegura, promete o tenente-coronel.