08 de julho de 2026
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Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Nem sempre possuir um teto para se abrigar significa estar livre do pesadelo da falta de moradia. A família da pernambucana Marinalva (ela não quis fornecer o sobrenome) vive há dois anos numa casa invadida do Núcleo Nova Bauru, zona norte da cidade. São quatro crianças no total, o mais velho com 15 anos, o caçula de 7 meses, mais outros três, com idades de 12, seis e três anos.

“Esta casa foi uma doação que recebemos”, explica ela. A “benfeitora” de Marinalva teria sido sua sogra, antiga invasora do imóvel. “Ela saiu para morar numa vila do CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e deixou aqui para nós”, conta.

Segundo vizinhos o marido está preso, mas durante a entrevista Marinalva disse que ele estava trabalhando como pedreiro.

Até hoje, nenhum proprietário regular apareceu para reivindicar o imóvel. “Mas a gente nunca sabe até quando essa situação vai durar”, pondera ela, que não é capaz de dizer se a casa possui algum dono. Por enquanto, a Caixa Econômica Federal, que financiou a construção do núcleo habitacional, não moveu qualquer ação contra os atuais “inquilinos”.

A moradia é precária, sem água encanada e energia elétrica. “A gente puxa da casa da minha cunhada, que mora aqui do lado”, diz ela. O quintal é de terra e a frente do terreno é fechada com tábuas velhas. A única entrada da casa foi arrombada e a porta precisa ser trancada com uma corrente.

As paredes estão todas sujas de terra. Na cozinha, os móveis resumem-se a uma mesa de fórmica, duas cadeiras e um sofá de canto, com estofamento todo rasgado. Há ainda uma geladeira enferrujada e um fogão velho.

A família é desconfiada. Marinalva passa a maior parte do tempo de cabeça baixa, sentada com o filho mais novo no colo. Se alguém lhe faz alguma pergunta que exija mais detalhes, como o valor da renda com que vivem, dá uma risada e coloca as mãos no rosto, antes de responder. “Deve ser uns R$ 300,00 por mês”, calcula.

Ela já foi garçonete e trabalhou num abatedouro de animais. Hoje em dia está parada, pois precisa cuidar do caçula. “Ele ainda mama no peito”, explica. Apesar das dificuldades, não pensa em retornar a Pernambuco, de onde saiu aos 14 anos. “Estou muito bem aqui, quieta no meu canto”, garante.