Algumas situações são perfeitas para ilustrar como é complexo o problema da moradia. É o caso de Gisele Cássia da Silva, atualmente funcionária dos Correios, que teve a oportunidade de experimentar sensações opostas envolvendo a questão da moradia.
Há cinco anos, ela possuía uma casa financiada pela Caixa Econômica Federal, mas atrasou o pagamento de seis parcelas ao banco e teve o imóvel mandado a leilão. “Meu padrasto sofreu derrame e tive de sair do emprego para ajudar a cuidar dele. Como fiquei dois anos sem trabalho, não tinha como pagar as prestações”, explica.
Na época, ela estava separada do marido André Luís da Silva e pagava parcelas mensais de R$ 228,00 pelo financiamento. A residência localizava-se na Granja Santa Cecília, zona sul de Bauru.
Silva saiu da casa, mas ainda tinha alguma esperança de reconquistar o imóvel, quando recebeu uma notícia desagradável. “Uma antiga vizinha veio me contar que havia uma família estranha ocupando a casa”, diz ela.
O fato gerou revolta em Silva, já que, na teoria, ninguém poderia habitar a residência antes que o leilão fosse realizado. “Foi injustiça. Eu não podia viver ali porque era inadimplente, mas aquela gente invadiu minha casa e ninguém impediu”, reclama.
Ela diz que acabou desistindo de lutar pelo o imóvel, o qual havia habitado durante um ano e meio, por considerar muito duras as condições de negociação propostas pela Caixa. “A pressão que fazem sobre a gente é forte, não dá para resistir”, considera.
“Eles me deram seis meses de prazo, e esse período era muito curto para que eu levantasse o dinheiro das prestações atrasadas”, explica.
Atualmente, Silva está reconciliada com o marido e vive na Vila Antártica, região central de Bauru. Ela não sabe invasores ainda ocupam seu antigo lar. “Parece que a casa foi vendida para outra pessoa, mas nunca me interessei em conferir como aquilo terminou”, afirma.