Em 1983, estava tudo pronto para reinauguramos a “Casa do Estudante Daniel Pacífico” do C.A. IX de Julho, da Faculdade de Direito da ITE. Casa totalmente arrumada, mobiliada, em perfeitas condições de uso para os estudantes viajantes. Grande festa no meio da rua, palanque armado para o show com a “Super Liga Katolica”, que tinha no comando o amigo Cláudio Turtelli. Chopp à vontade. E a alegria da promessa cumprida com a casa voltando para suas reais finalidades, a de hospedar os estudantes de direito que não residiam em nossa cidade.
Chegando ao local, pouco antes da inauguração constatamos que um inconformado havia escrito palavras ofensivas e de baixo calão na área da casa, próximo à porta de entrada. Solicitamos ao então jovem, magro e lépido Zé Vinagre para que desse um pique até a lanchonete Acadêmico do Ivan Bittencourt, onde deveria estar o João Torrecilha, dono de um depósito de material de construção, para comprar um galão de tinta para apagar as baboseiras escritas por algum entristecido com a vida. Se fosse nas olimpíadas, Vinagre teria ganho medalha de ouro, tal a rapidez com que chegou ao Bar do Ivan.
- “Seo Ivan”... quem é o João Torrecilha?
- Não conheço, não!
- Ué... o Pedroso falou que ele estaria aqui... e estou precisando comprar um galão de tinta...
- Ara... você tá querendo o João Caju? É aquele magro ali... sentado com o Walter Costa!
Vinagre se aproxima da mesa, todo educado:
- Desculpe interromper... “seo João Caju”... mas o Pedroso pediu...
- Caju é a mãe, seu moleque! Que liberdade é essa?
Celeuma criada e acalmada. O Torrecilha vendeu a tinta, pintamos a parede e o velho Ivan ria sozinho:
- Ferrei mais um!
(Contada por Antonio Pedroso Júnior)