07 de julho de 2026
Leonardo de Brito

Em Confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 4 min

DE GRÃO EM GRÃO PODE PINTAR HEXA

Contra a Austrália, a Seleção Brasileira não deu show e nem encantou, mas melhorou em relação ao jogo de estréia, venceu - desta vez acertei o palpite - e se classificou para as oitavas-de-final. Essa foi a nona vitória seguida do Brasil em Copa do Mundo - sete na Ásia/2002 e duas na Alemanha/2006. Nossa Seleção agora vai cumprir tabela e confirmar a liderança isolada do Grupo F quinta-feira, contra o Japão. E fica a esperança de que o rendimento do time melhore porque partir da segunda fase da competição, o bicho vai realmente começar a pegar, quando enfrentaremos adversários mais tradicionais, fortes e bem preparados. No jogo de ontem, em Munique, os brasileiros começaram marcando sob pressão, a partir do meio-campo. A Austrália também fez boa marcação, além de bater uma coisa que presta. O Brasil criou duas ou três chances de perigo no primeiro tempo, que foi fraco - foi melhor no segundo tempo, mesmo sem mudanças. E logo aos 3', alegria, alegria. Aproveitando passe de Ronaldo, Adriano fez o que sabe: bola na rede, 1 a 0. Na comemoração, homenagem ao seu primeiro filho, que nasceu na semana passada no Rio. Esse foi o primeiro gol do Imperador em Mundiais. Nem poderia ser diferente, afinal é a primeira vez que está numa Copa do Mundo. Depois disso, os autralianos saíram de vez para o jogo e o que se viu foi o Brasil tomar susto, um atrás do outro. Lúcio, Juan e Émerson quase entregaram o ouro. Dida fez algumas boas defesas, mas também andou fazendo besteira, ao soltar uma bola alta quase na linha da grande área. Ainda bem que o canguru chutou por cima. Mas eles também levaram sustos, aquela cabeçada de Kaká na trave, por exemplo. No finzinho do jogo, Parrerira surpreendeu ao colocar Fred na vaga de Adriano. Eu deu certo. O ex-cruzeirense aproveitou a bola devolvida pela trave e liquidou a fatura. A Seleção Brasileira continua devendo uma exibição de gala, mas o importante é vencer. Quem sabe, na base do grão em grão a galinha enche o papo, a Canarinho venha a conquistar o tão sonhado hexa.

DESTAQUES E AS DECEPÇÕES

Concordo com a escolha da Fifa, que elegeu Zé Roberto o melhor em campo. E Kaká voltou a jogar bem, foi outro destaque contra a Austrália. Em compensação, o outro volante, Émersom, deixou muito a desejar. Juninho Pernambucano poderia dar mais velocidade e deixar o meio-campo mais firme e criativo. Mas isso só aconteceria se Parreira fosse mais corajoso. Se Émerson sair do time, o treinador escalará Gilberto Silva, com certeza, embora - na minha opinião - Mineiro seja melhor do que Gilberto. Além de Juninho, eu gostaria de ver Cicinho nessa equipe. Ronaldo teve uma pequena melhora em relação ao jogo contra a Croácia. No primeiro gol, Ronaldo foi lançado e se viu diante de três adversários. Mas foi inteligente, cruzando para Adriano. Se o Fenômeno não vem atuando bem, Ronaldinho Gaúcho decepciona mais ainda. Mesmo assim, eu manteria os Ronaldos porque eles podem desequilibrar de uma hora para outra.

COMPLICADO

Japão e Croácia protagonizaram o quarto 0 a 0 da Copa do Mundo e chegarão à última rodada do Grupo F, quinta-feira, em situação delicada. A tarefa mais difícil é a dos japoneses, que terão de vencer os brasileiros para sonhar com a vaga. Eu acho que os croatas passarão pelos australianos. A Croácia ainda não balançou as redes e tem saldo negativo de um gol. A seleção dirigida por Zico fez um gol contra a Austrália, na estréia, mas em compensação tem saldo negativo de dois. Ontem, em Nuremberg, o Japão teve maior posse da bola, embora com um futebol cadenciado. Já os croatos tentaram vencer na base da velocidade.

DECEPÇÃO

A França voltou a empatar, desta vez contra a Coréia do Sul, e pode não avançar para as oitavas. Campeã mundial de 98, a equipe de Zidane e cia. vem sendo uma grande decepção na Alemanha.

BEM DIFERENTE

Apesar da desclassificação precoce da Copa da Alemanha, a Federação Costarriquenha de Futebol confia no trabalho do técnico brasileiro Alexandre Guimarães, que poderá ser mantido no cargo. No patropi é bem diferente, não é mesmo? O treinador é demitido se o time for vice-campeão, porque no Brasil - no futebol, bem entendido - tanto faz o segundo como o décimo lugar.

MEMÓRIA

Final da Copa do Mundo do México/70: Brasil 4 x 1 Itália, na Cidade do México. Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres fizeram os gols da conquista do tri. Boninsegna fez o de honra da Azzurra. Árbitro: Rudi Gloeckner. Público pagante: cerca de 108 mil. Brasil: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. Técnico: Zagallo. Itália: Albertosi; Burgnich, Rosato, Cera e Facchetti; Bertini (Juliano), Domenghini e De Sisti; Mazzolla, Boninsegna (Rivera) e Gigi Riva. Técnico: Ferrucio Valcareggi.