Recife - Um tubarão atacou e matou na manhã de ontem, em Olinda (região metropolitana de Recife, PE), o estudante Humberto Pessoa Batista, 27 anos. O ataque - o 49.º desde 1992, com 19 mortes - aconteceu às 9h, quando a vítima praticava bodyboard na praia Del Chifre, próximo à divisa com Recife.
Desde janeiro, a praia não faz parte da área de risco estabelecida pelo Corpo de Bombeiros, onde a prática de esportes náuticos é proibida e existem placas de alerta aos banhistas. A região, ao norte da Capital, foi liberada porque as estatísticas mostravam ataques cada vez menos freqüentes no Estado e sempre restritos ao sul. Com a ocorrência de ontem, a decisão deverá ser revogada.
Batista foi atacado quando estava a 20 metros da areia, num trecho de profundidade aproximada de 2,5 metros. O tubarão mordeu sua coxa e panturrilha esquerdas, e os ferimentos provocaram forte hemorragia. Socorrido por um amigo, ele foi levado ao atendimento pré-hospitalar dos bombeiros, em Olinda.
Em seguida, foi conduzido ao Hospital da Restauração, em Recife, onde sofreu uma parada cardíaca e morreu. Batista morava em Paulista, cidade vizinha a Olinda. Ele vivia em Arthur Lundgren 1, bairro popular da periferia da cidade.
Seu corpo foi levado ao Instituto de Medicina Legal (IML) e deverá ser enterrado hoje. O estudante foi a terceira vítima de tubarões registrada este ano, em Pernambuco.
Em abril e maio, dois caminhoneiros foram atacados nas praias de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes (região metropolitana), e Boa Viagem, em Recife. Nos dois ataques, as vítimas não praticavam esportes náuticos. Estavam com a água na altura da cintura, quando foram mordidos. Eles foram socorridos e sobreviveram.
Estudos feitos pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) revelaram que tubarões tigre e cabeça-chata, seriam os responsáveis pelos ataques no litoral do Estado. As duas espécies estão entre as mais agressivas do mundo. A presença deles na orla pernambucana estaria ligada principalmente à interferência do homem em seu ambiente.
Segundo as pesquisas, a construção do porto de Suape, em Cabo de Santo Agostinho (30 ao sul quilômetros de Recife), alterou o estuário do rio Jaboatão, local de procriação dos cabeça-chata. Os dejetos lançados pelos navios no mar também atrairiam os tubarões ao litoral. Correntes marítimas no sentido sul-norte e um canal profundo paralelo à orla contribuiriam para a permanência deles no local.
A concentração de ataques entre abril e setembro estaria ligada, entre outros fatores, a alterações na salinidade da água provocadas pelo período chuvoso. O fenômeno ocorreria devido ao aumento do volume despejado no mar pelos rios.