10 de julho de 2026
Esportes

Reservas do Brasil pedem chance no duelo contra Japão

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Bergisch Gladbach - A fase, apesar da classificação antecipada para as oitavas-de-final, não é das melhores. E, quem está escondido, começa a colocar as mangas para fora. Alguns reservas da Seleção, candidatos a um posto de titular, gritam, do banco, por uma chance. Ao menos no jogo de quinta-feira, contra o Japão, o último dos brasileiros na primeira fase do Mundial.

Quem puxa a fila é aquele que, faz tempo, é quem mais se incomoda com a situação. O meia Juninho, cotado para ser titular, é um dos nove que ainda não jogaram na Copa. “Ainda não chega a ser uma decepção. Eu gostaria também de ter entrado, de ter participado de alguma forma. É lógico que é difícil para o treinador definir quem ele tem de colocar. Espero que tenhamos mais cinco jogos e até lá a esperança de entrar continua”, afirmou.

Juninho, que na Seleção atua como meia e é volante no clube francês, diz que prefere atuar em sua posição original, mas que se “garante” em qualquer lugar do meio-campo. “Tenho de me segurar, de alguma forma, para não atrapalhar o grupo”, desabafa o atleta, sobre a insatisfação com a reserva.

Para não perder a cabeça, ele diz que segue a filosofia européia. “Eu penso sempre que é titular quem vai jogar no próximo jogo”, falou ele, que fez análise não muito otimista sobre a Seleção. “É melhor abrir o olho agora e saber que para ganhar a Copa terá muito sofrimento.”

Contra o Japão, o técnico Carlos Alberto Parreira pode poupar três dos quatro pendurados com um cartão amarelo - Cafu, Émerson e Robinho. O outro, Ronaldo, já teve escalação confirmada por Parreira.

A lista dos atletas ameaçados não favorece Juninho, que é reserva de Kaká. As chances de Cicinho, porém, são grandes. “A partir do momento em que você está aqui você não pode pensar em só treinar. Tem que pensar em jogar”, disse.

Juninho evitou fazer críticas ao técnico Carlos Alberto Parreira e suas opções para montar o time. O meia afirmou que todos os reservas do Brasil têm condições de jogar na Copa. “Poderia substituir todo mundo, até o goleiro, que a qualidade do time continuaria grande. Poderíamos ganhar, como também poderíamos perder, como é próprio do futebol”, avaliou. O jogador do Lyon disse que pensa ter “chance de jogar sempre”, para continuar motivado. “Depois, o técnico define quem entra”, afirmou.

Na opinião de Juninho, todos os que estão no banco têm a mesma ambição, que é atuar em pelo menos uma partida no Mundial. O atleta avalia que o nível das equipes no Mundial está alto e que é “difícil segurar o resultado”. “Temos de estar conscientes de que, para ganhar a Copa, temos que sofrer bastante”, previu.

O meia elogiou a atuação brasileira contra a Austrália e disse acreditar que a Seleção está “no caminho certo”. “Já subimos de produção da primeira para a segunda partida. Esperamos subir a cada partida, até a final”.

Após duas partidas, Parreira só usou três de seus 12 reservas. Robinho entrou duas vezes no lugar de Ronaldo. Émerson saiu para entrar Gilberto Silva. “Pode acontecer (de ser titular). De repente, o Parreira pode poupar os pendurados”, disse o volante do Arsenal.

O outro usado por Parreira foi Fred. Estreante em Copas, o atacante fez o segundo gol contra a Austrália. “Vim com vontade de trabalhar forte, não importa se for para ficar no banco ou jogar”, falou ele, que não conseguiu dormir após o jogo.

Embora tenha reconhecido que a Seleção ficou devendo futebol até agora, Juninho Pernambucano falou que, se o time ganhar de 1 a 0 todos os seus jogos na Copa, será campeão. “Aí, todo mundo vai lembrar do Brasil campeão, sem lembrar se jogou feio ou bonito”, arriscou.

Ele identificou um problema de memória curta com relação às conquistas esportivas. “Todo mundo se lembra da final da Copa das Confederações (em que o Brasil goleou a Argentina por 4 a 1), mas se esquece de que a gente quase foi desclassificada antes pelo Japão.” Segundo o meia, por causa do show sobre os argentinos na final da competição, criou-se a expectativa no mundo que a Seleção Brasileira seria favorita ao título e jogaria bem na Copa, com o que ele diz nunca ter concordado.

Reserva rival

A possibilidade de escalar reservas no jogo contra o Japão desperta uma preocupação nos próprios candidatos às vagas. A falta de ritmo, segundo eles, pode prejudicar o desempenho de quem almeja um posto de titular - eles não jogam uma partida completa desde maio.

“Talvez ninguém tenha notado, mas todos os jogadores, com exceção do (Ronaldinho) Gaúcho, fizeram seus últimos jogos até o dia 13 de maio. Jogamos dois amistosos, mas os adversários eram de um nível muito inferior. Contra a Austrália, fomos melhor porque os titulares voltaram contra a Croácia”, disse Juninho Pernambucano.

Segundo o preparador físico da Seleção, Moraci Sant’Anna, há uma diferença pequena entre titulares e reservas. Ontem, os dois grupos tiveram programações diferentes. Os reservas fizeram um circuito, depois um treino de dois toques e um de finalizações. Os titulares, só musculação.