10 de julho de 2026
Geral

Com rachas internos, Saúde enfrenta até boatos de fechamento de unidades

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos setores mais importantes da administração pública, a Saúde de Bauru coleciona problemas. A prefeitura tem dificuldades em contratar médicos, que não aceitam o salário base oferecido e criticam as condições de trabalho - principalmente a concentração de atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC) após o fechamento das unidades do Mary Dota e da Vila Ipiranga. Médicos criticam a falta de diálogo e a suposta intransigência da Secretaria Municipal de Saúde. E alguns profissionais amedrontam usuários, anunciando o suposto fechamento de unidades básicas de saúde. No meio do chumbo trocado, a população, mais uma vez é a principal vítima da crise instalada na Saúde de Bauru.

Alguns profissionais da rede municipal ouvidos pelo Jornal da Cidade classificaram a situação como calamidade pública e a forma de trabalho do titular da pasta, Mário Ramos, como sendo tirânica. Segundo os médicos, as exigências são muitas e as decisões, como a de abrir um Pronto Atendimento Infantil no Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista, equivocadas.

Para um médico, que preferiu não ter o nome divulgado, houve um retrocesso nos programas implantados, comprometendo ainda mais o atendimento. Ele avalia que os problemas na Saúde começaram há mais de 15 anos e que a Secretaria não está conseguindo solucionar os problemas porque pessoas daquela época continuam influenciando no setor. “A situação geral está provocando um descontentamento muito grande”, avalia.

A sobrecarga de consultas, as más condições de trabalho e a baixa remuneração já motivaram demissões na semana retrasada. E , de acordo com os médicos ouvidos pelo JC, mais profissionais podem sair da rede municipal de saúde. “No último sábado, enquanto o Pronto-Socorro Infantil pegava fogo, um pediatra estava com cólica renal e continuava atendendo os pacientes”, afirma o médico. Só na última semana, seis profissionais pediram exoneração de seus cargos. E segundo informações obtidas com os médicos, alguns especialistas que estão em licença podem não voltar.

“Você chega para trabalhar e tem 80 consultas te esperando. Você já entra desmotivado, não tem vontade de trabalhar. E ninguém colabora. Antes você conseguia chamar um colega de algum outro lugar, mas agora não tem mais médico na rede”, conta um especialista que atende no PAI. Para ele, não existe planejamento e a prefeitura não apresenta solução imediata para os problemas mais graves.

Por outro lado, alguns médicos estão jogando a população contra a prefeitura. A dona de casa Maria Cecília Pagnuci procurou o JC na manhã de ontem alarmada com a informação que recebeu na unidade básica da Vila São Paulo. “Dois médicos me falaram que até agosto o postinho ia fechar. O pessoal que estava para ser atendido começou a organizar um abaixo -assinado”, conta. Segundo ela, a decisão de fechar a unidade teria vindo da prefeitura.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência, José Roberto Berber, negou que qualquer unidade básica será fechada. De acordo com a dona de casa, os rumores do fechamento espalharam-se rapidamente.

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Ponto eletrônico

Uma novidade que está desagradando os médicos da rede pública é a instalação do relógio de ponto eletrônico, que controlaria os horários de entrada e saída dos profissionais. “Se for exigido o cumprimento das horas de plantão, com o salário oferecido hoje, não fica ninguém”, prevê um médico que atende no Pronto-Socorro Infantil.

Rumores de um possível pedido de demissão em massa correram nas unidades básicas de saúde nesse início de semana. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a instalação do aparelho é uma exigência do Tribunal de Contas da União. Segundo o secretário de Saúde, Mário Ramos, logo o controle estará funcionando.