09 de julho de 2026
Polícia

Teste de DNA comprova identidade de homem achado carbonizado em carro

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O homem achado morto, carbonizado, dentro do Fiesta placas CXF 0188, de Pirajuí, no Jardim Ouro Verde, em Bauru, no último dia 11 de fevereiro, num dos casos mais misteriosos do ano na cidade, realmente é o pedreiro Claudionor dos Santos Queirós, 26 anos. A confirmação, quatro meses após a localização do cadáver, foi feita com base em teste de DNA. Outros exames apontaram que ele não morreu em função do incêndio, pois não havia monóxido de carbono em seu sangue. Porém, ainda não está esclarecido como ele morreu, apesar de a Polícia Civil trabalhar com poucas chances de morte acidental.

Devido às condições do corpo, que estava totalmente carbonizado, a perícia técnica não conseguiu identificar se Queirós foi estrangulado, enforcado, esganado, espancado ou ainda atingido por projétil de arma de fogo ou objeto pérfuro-cortante. “Não descartamos a morte acidental, mas as chances de morte incidental, dele ter sido morto, são de 90%. O que a técnica comprova é que ele não morreu queimado. Agora, estamos investigando quem o matou e o porquê”, explica o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru.

Foi exatamente pelo corpo estar irreconhecível que a polícia solicitou exame de DNA para comprovar a identidade da vítima. Queirós, que não tinha passagens pela polícia, foi achado morto, no banco do motorista de seu carro, na estrada que liga a estação de captação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) à rodovia Elias Miguel Maluf. Na ocasião, a mulher de Queirós, Ana Cláudia Venâncio, chegou a reconhecer o corpo com base numa pulseira.

Na época, ela disse que seu marido havia saído de sua casa, no Jardim Ouro Verde, à noite, sozinho, para ir a um bailão. O exame toxicológico da amostra de sangue colhida do coração da vítima não encontrou vestígios de substância entorpecente, mas alta concentração de álcool. O laudo da Polícia Técnica também aponta que o incêndio do carro não foi resultado de explosão, hipótese que chegou a ser levantada na ocasião do encontro do cadáver. “A técnica mostrou que o fogo começou de baixo para cima. Acreditamos que o carro foi embebido com gasolina, não muito, com a vítima já morta”, comenta o delegado, ressaltando que alguém deve ter colocado fogo no veículo.

Sem divulgar detalhes para não atrapalhar as investigações, Martins afirma que a apuração do caso já está bem adiantada. “Agora, com os laudos, teremos mais segurança para avançar na investigação, que já estava adiantada. O trabalho da Polícia Civil é formar provas para o Judiciário. Logo, essas provas têm de ser técnicas, temos de reconstruir a verdade real”, comenta Martins para justificar o motivo da espera dos laudos para continuidade das investigações do caso.

Considerando o crime bastante complexo, uma vez que não havia comprovação nem da identidade da vítima, o delegado titular da DIG conta que são raros os casos que exigem exames como de DNA e toxicológico. “Um percentual muito pequeno dos casos exige laudos assim”, completa.