Na quinta feira, marcamos todos os detalhes daquela que seria a “A pescaria perfeita”, a realizar-se no sábado. Às 4h acordei, peguei minha tralha, coloquei-a no carro e fui buscar meu pai, o Carlos, também conhecido como “Santa Maria”, e meus amigos William, Herrera e Carlos Alberto. Fomos pescar na cidade de Reginópolis, num lugar muito especial, conhecido como “Poço do Garrote”, onde, após uma grande curva em forma de poço, o rio Batalha faz uma maravilhosa corredeira, na qual as piaparas ficam cevadas.
Aquele “dia perfeito” logo se mostrou não ser o “dia do pescador”, e sim o “dia do peixe”, pois todas as iscas que usávamos não davam em nada, e olha que tentamos com mortadela, minhoca, milho azedo, filé de lambari, queijo, macarrão, bicho-da-seda, entre outras.
Como não “havia peixes”, fomos fazer um belo churrasco, à sombra de um enorme bambuzal, numa churrasqueira de pedras e ali ficamos até às 14h. Satisfeitos, fomos de novo tentar a sorte, cada um em um local diferente do rio, pois o lema do pescador é “não desistir nunca”.
Já às 16h, com muita fome e nada de peixes, resolvi voltar à churrasqueira em que havíamos deixado uma assadeira com as sobras do churrasco, para comer um belo lanche.
Quando estava chegando, vi um “teiu”, um lagartão de uns 90 centímetros ou mais, comendo o churrasco da travessa que ele havia derrubado da churrasqueira no chão.
Ao me ver, ele saiu correndo para o mato em desabalada carreira, deixando para trás uns 2,5 quilos de churrasco em pedaços pequenos, alem de ter levado para o mato uma lingüiça calabresa grande para comer posteriormente deve ter gostado muito de nosso churrasco.
Nisso, frustrado, pequei um pouco do churrasco e joguei no poço. Passado alguns instantes, notei que os peixes grandes pulavam desesperados para catarem os pedaços de churrasco que boiavam. Aí, não deu outra, coloquei uma “isca diferente” no anzol: churrasco, e foi só lançar no rio e já peguei uma piapara de uns 2 quilos. Com uma hora de pescaria, peguei aproximadamente 18 piaparas grandes e nove piavas de bom tamanho.
Quando meus amigos retornaram, não acreditaram no que tinha acontecido nem em minha história sobre o lagartão, mas, graças a ele, descobri a isca ideal para aquele dia.
Toda vez que voltamos lá, sempre separo alguns pedaços de churrasco, para pescar após o almoço, e tenho ótimos resultados.
Marcos Aparecido Guerrero é pescador e contador de histórias.