Os servidores da Polícia Federal (PF) em Bauru, que paralisaram suas atividades ontem para reivindicar reajuste salarial, decidiram manter o manifesto hoje e amanhã.
Inicialmente, a pretensão com o ato de ontem, que ocorreu em todo País, era sinalizar ao governo a possibilidade de greve caso não sejam atendidos. E foi o que aconteceu. O comando do movimento em Brasília tentou uma negociação com os governistas, sem sucesso.
A categoria não é contemplada com aumento nos vencimentos há dez anos. Os trabalhadores pedem um adicional imediato de 30% e o mesmo percentual a partir de fevereiro do ano que vem.
Em Bauru, a adesão ao movimento atinge quase a totalidade dos servidores. Apenas 30% do quadro de funcionários, como determina a lei, será mantido em seus postos para prestar os atendimentos considerados prioritários. São cerca de 40 trabalhadores, entre escrivães, fiscais, agentes e delegados, de braços cruzados.
Somente os mandados de prisão e apreensão e a emissão de passaportes com caráter de urgência estão sendo concluídos. A emissão de alvarás, as audiências e o atendimento ao público estão suspensos.
A estimativa do comando de greve de Bauru é de que aproximadamente 50 passaportes não foram emitidos ontem por conta da paralisação. A comissão que coordena o movimento vai definir os outros serviços que terão de continuar sendo realizados.
Benedito Pereira de Arruda, representante dos grevistas em Bauru, explica que o governo se comprometeu com a categoria em reajustar o salário dos servidores desde o ano passado. A promessa, segundo ele, não foi cumprida.
“Em julho de 2005 o governo fez um acordo com a gente no qual ficou certo que nos daria parte do aumento em fevereiro de 2006 e a outra parte no mês de dezembro. Ainda estamos esperando. Fomos traídos”, reclama.
Além do reajuste salarial, também faz parte da pauta de reivindicações dos servidores o pedido de melhores condições de trabalho. Conforme Arruda, faltam materiais básicos de escritório, como papel, tinta para impressora e até equipamentos, como computadores.
O ressarcimento das despesas com diárias quando os funcionários precisam viajar para concluir os serviços é outra solicitação. Atualmente, segundo o representante dos grevistas, o pagamento é feito após 60 dias do trabalho prestado, o que acaba obrigando o servidor a cobrir as despesas com dinheiro do próprio bolso.
A última greve promovida pela categoria ocorreu em 2004 e durou mais de dois meses. Em acordo firmado com o governo, a PF conseguiu reajuste salarial de 17%.