09 de julho de 2026
Esportes

Indefinido, Brasil pega Japão

Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Dortmund - A Seleção Brasileira faz hoje, às 16h de Brasília, contra o Japão, a sua terceira e última partida na primeira fase da Copa de 2006. Depois de duas vitórias (1 a 0 sobre a Croácia e 2 a 0 na Austrália), em que o Brasil não mostrou um futebol empolgante mas garantiu a vaga por antecipação, o maior desafio da equipe é melhorar o desempenho para os mata-matas das oitavas-de-final.

O técnico Carlos Alberto Parreira manteve o mistério e só vai anunciar a escalação minutos antes da partida de hoje, no vestiário do Westfalenstadion, em Dortmund. Ele havia afirmado, após o jogo contra a Austrália, que poderia poupar jogadores em razão das condições físicas e de cartões amarelos.

O Brasil, já garantido nas oitavas-de-final, precisa de um empate para ser o primeiro do Grupo F. O Japão, para se classificar, terá de vencer a Seleção Brasileira e torcer para que a Austrália não ganhe da Croácia. Terá ainda de levar vantagem no saldo de gols.

O que seria uma das principais armas da Seleção, o quadrado mágico ofensivo formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo, teve atuação abaixo do esperado nos dois primeiros jogos e virou alvo de críticas. Só Kaká não decepcionou. Apesar disso, o técnico deu sinais de que pretende manter a formação para oitavas.

Na avaliação de Parreira, sem a pressão pela classificação, o time deve render mais. “Não começamos bem contra a Croácia, mas isso era esperado. O importante é crescer jogo a jogo, como já aconteceu da primeira para a segunda partida.”

Os jogadores concordam com a tese de evolução. “A tendência é ir crescendo a cada jogo. Na hora que mais precisar, que toda equipe esteja em um nível muito bom”, afirmou Ronaldinho.

Como o Japão precisa vencer, os brasileiros esperam que o rival procure mais o ataque. “Pela qualidade que têm os jogadores da seleção brasileira, pode ser um suicídio”, disse Ronaldinho.

Roberto Carlos tem a mesma opinião. “Com certeza seria suicídio para qualquer time. O Japão deve pensar bem. Se for sair para jogar, com essa velocidade do nosso time e a vontade de jogar bem, com certeza vai sofrer”, brincou.

Sem chance

Apesar da gritaria geral dos jogadores da Seleção, tanto titulares como reservas, de que querem jogar hoje, Parreira avisou que eles não serão ouvidos. “A decisão é da comissão técnica.”

Parreira descartou que o segredo com a escalação do time até a hora da partida possa provocar inquietação entre os atletas. “Eles estão acostumados. A maioria atua na Europa, onde o jogador só fica sabendo se vai jogar horas antes”, rebateu.

Nos últimos dias, Parreira despistou sobre possíveis mudanças no time, provocando manifestações dos craques dizendo que preferem entrar em campo a ficar no banco, mesmo que isso represente risco de cartão ou de contusão.

Para manter o sigilo, Parreira nem mesmo realizou treinos coletivos com divisão de titulares e reservas. “Temos algumas variantes para analisar, coisas para retocar”, declarou. Ele avalia que, se fizer alterações, não haverá problemas em colocar um grupo de jogadores que nunca atuou ou treinou junto.

“Qualquer um que entre vai se adaptar bem. Se entrar Ricardinho, Juninho, Luisão, Cris ou os laterais, todos já fizeram coletivos e participaram de amistosos. Não é preciso treinar”, observou o treinador.

Parreira destacou que teria uma reunião ontem à noite com a comissão técnica e os jogadores para apresentar a equipe do Japão, com vídeos e palestras, e para discutir o time que entra em campo.

O médico da Seleção, José Luiz Runco, deixou claro que não há problemas médicos. “A escalação da equipe é uma questão puramente técnica. Estão todos liberados”, disse Runco.

Parreira avaliou que “é um risco” entrar no jogo e levar um cartão, mas que também “não é o fim do mundo”, porque a Seleção tem outros jogadores para substituir quem tiver de cumprir suspensão, sem reduzir a qualidade da equipe.

Alterações

Embora cerque de mistério a escalação da equipe, Parreira deu pistas de que deve mexer no time para o jogo de hoje. O único garantido para começar a partida é Ronaldo, que precisa de ritmo na avaliação do treinador.

Pendurados com dois cartões amarelos, o lateral-direito Cafu e o volante Émerson podem dar lugar a Cicinho e Gilberto Silva, respectivamente. Mas não está descartada a hipótese de Cafu - prestes a isolar-se com o recorde de jogador que mais defendeu a Seleção em Copas, com 19 partidas - começar o jogo.

Na frente, outra modificação. É possível que Parreira aproveite o jogo sem a obrigação de vencer para testar desde o início o ataque com um jogador de maior movimentação. Nesse caso, Robinho começaria no lugar de Adriano.

Parreira faz de tudo para despistar. “Robinho é aprovado por tudo o que já fez pela Seleção, incluindo participação na Copa das Confederações, e não por apenas 20 minutos em dois jogos”, falou.

Se Robinho começar o jogo, é possível que Fred, que marcou um gol na Austrália dois minutos após entrar em campo, tenha nova chance, substituindo Ronaldo na partida.

Outro que deve ter a sua chance no decorrer do jogo é Juninho Pernambucano. Parreira pode utilizá-lo em duas funções. Como meia, no lugar de Kaká, ou como volante, no lugar de Zé Roberto, caso queira a saída de bola mais técnica.