São Paulo - O advogado Geraldo Jabur enviou nesta semana à diretoria do Cadeião de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) um pedido para passar a reunir-se em uma sala reservada com os irmãos Daniel e Christian Cravinhos, que estão na unidade, e não no espaço destinado aos encontros de presos e advogados. Motivo similar o levou a faltar ao júri, no último dia 5. O julgamento foi remarcado para o dia 17 de julho. O espaço, chamado de parlatório, fica disponível aos 1.012 presos do Centro de Detenção Provisória (CDP 1) de Pinheiros, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).
No local, os presos ficam separados dos advogados por uma parede de vidro e conversam com eles por interfones. Segundo Jabur, as conversas no parlatório não atendem ao direito dos advogados de manter conversas “pessoais e reservadas” com os clientes. “Não dá para preparar alguém, em um caso complexo como esse, pelo interfone. Eu não falo em segredos, mas cada caso tem detalhes.”
Na sexta-feira, o advogado disse ter ido até o parlatório e desistido de conversar com os irmãos “naquelas condições”. Ele disse à reportagem que voltará na próxima sexta. “Vou ver se desta vez eu consigo entrar com doze volumes (do processo) para conversar com eles.” Daniel, Christian e Suzane von Richthofen, que cumpre prisão domiciliar, são réus confessos no processo que os acusa de ter planejado e matado os pais dela, Manfred e Marísia von Richthofen, em outubro de 2002.
Justiça
Caso seu pedido não seja atendido pela direção da unidade prisional, Jabur ameaça levá-lo ao juiz Alberto Anderson Filho, do 1.º Tribunal do Júri, que presidirá o júri dos irmãos Cravinhos e de Suzane. O julgamento dos três deveria ter começado no último dia 5, mas manobras dos advogados de ambas partes impediram sua realização. Geraldo Jabur e Gislaine Jabur, que defendem os irmãos, sequer compareceram. Eles alegaram “cerceamento de defesa” pois não conseguiram conversar com Daniel e Christian na semana anterior à data. “Não fiz o primeiro, não farei o segundo nem o terceiro nem o quarto (júri) se não exercer, em toda a plenitude, meu direito de falar com eles.”