10 de julho de 2026
Nacional

TGV diz não ter dinheiro para injetar na companhia

Folhapress
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Rio de Janeiro - O coordenador do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), Márcio Marsillac, admitiu que pode não ter os US$ 75 milhões para injetar na empresa aérea até amanhã, o que é necessário para garantir a validade do leilão de venda da companhia para o grupo de trabalhadores.

Em discurso para cerca de cem trabalhadores na porta da sede da Varig, Marsillac criticou o governo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Justiça, que, segundo ele, “depreciaram” a empresa e dificultaram a captação dos recursos para o investimento. “Ninguém aqui tem 100% de segurança de que esses recursos vão ser apresentados até sexta-feira. Isso é óbvio”, afirmou. “Se com quem estamos negociando não depositar, não temos como fazer o depósito.”

O TGV ofereceu R$ 1,01 bilhão para comprar a Varig em leilão realizado no último dia 8. O grupo afirma que dois investidores estrangeiros não-revelados vão ajudá-lo a realizar o pagamento e também a injetar US$ 75 milhões para que a companhia continue a voar. O BNDES já afirmou que não vai financiar a compra da empresa nem emprestará esse capital inicial, mas que poderá ajudar os compradores da Varig no futuro se eles apresentarem as garantias necessárias para a liberação do empréstimo. Caso as normas do edital do leilão não sejam cumpridas, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, afirmou que poderá realizar um novo leilão.

Nova York

A Justiça dos Estados Unidos voltou a prorrogar a proteção contra o arresto (apreensão) de aviões da Varig, segundo Marcelo Gomes, da consultoria Alvarez & Marsal, responsável pela reestruturação da empresa. O juiz Robert Drain, da Corte de Falências de Nova York, decidiu ontem impedir que as companhias de leasing retomem 25 aviões arrendados à Varig até o dia 21 de julho.

A proteção, no entanto, só vale se o consórcio formado pelo TGV e dois investidores estrangeiros não-revelados fizer a injeção de US$ 75 milhões na Varig até amanhã, como previsto no edital do leilão da companhia aérea. Caso contrário, o juiz convocará uma nova audiência para o próximo dia 28, quando reavaliará o pedido das empresas de leasing para a devolução das aeronaves.