O Brasil é, de fato, um País democrático? Não podemos afirmar com tanta certeza, infelizmente. Encontramos no “Aurélio” uma definição de democracia: “Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição eqüitativa do poder.” Nosso ilustre presidente, dias atrás, encheu o peito e, num gesto ufanista, espalhou na mídia a alvissareira notícia de que somos auto-suficientes na produção do petróleo. Muito boa notícia, mas não baixou o preço da gasolina. Voltando à democracia, quem manda no Brasil? Se o povo brasileiro fosse respeitado pelo regime democrático, seria ele, que por intermédio do voto deu procuração para que nossos governantes possam administrar o País a contento. Não demos nenhuma procuração ao PCC, Comando Vermelho e aos traficantes. Entretanto, eles “ajudam” a manter a ordem (deles), trancafiando os moradores das grandes cidades em suas celas, digo, casas, com medo da violência grassante no País. Determinam ainda o fechamento do comércio e de escolas. A palavra mais usada nos discursos presidenciais é “soberania”, dando uma conotação cívico-democrática de que somos o melhor país do mundo, fato que acho discordam os 14 milhões de miseráveis, brasileiros como nós que, no momento, só querem saciar a fome. Quem dera se em outro momento eles reivindicassem muito mais do que isso.
Que soberania é essa, senhor presidente? O mais rico Estado do Brasil, que é São Paulo, frágil e assustado, ficou à mercê dos marginais que, reunidos em torno de uma facção criminosa constituída e revestida de poderes, matam e mandam matar policiais civis e militares, aos olhos das “frágeis” autoridades penitenciárias. E o governador de São Paulo vem a público dizer que tudo está sob controle, rejeitando a ajuda federal, numa atitude subserviente ao poder dos criminosos! Soberania? Onde? E é por tudo isso que eu quero manifestar meu “voto” solidário ao escriba desta tribuna, Rafael Moia Filho (28/05/06), “Além da nossa indignação”, onde ele prega o voto nulo! Assino e dou fé, meu caro Rafael. Fora a canalhice, a corrupção e a vergonha nacional que é a maioria dos políticos brasileiros! “Escolher melhor” é uma atitude ultrapassada, obsoleta. Ou mudamos a sistemática de escolha dos governantes imediatamente ou continuaremos escravos desses tecnocratas capitalistas que só querem o poder para se locupletarem!
Para concluir, foi decepcionante a atitude do “herói nacional”, nosso primeiro astronauta, solicitando sua aposentadoria aos 43 anos, depois de pagarmos a “ninharia” de US$ 10 milhões para que ele fosse ao espaço. Como sempre, quem está indo para o espaço é o pobre povo brasileiro! Lamentavelmente, Marcos Pontes mudou o slogan do governo onde se lê a frase “Sou brasileiro, não desisto nunca” para “Sou brasileiro e, às vezes, por conveniência, desisto sim, senhor”! Muda Brasil!
Fernando Lucilha Júnior