Gaza - A principal passagem internacional para a Faixa de Gaza permaneceu fechada ontem depois de um alerta das forças de segurança de Israel para a possibilidade de ataques. O Hamas (grupo terrorista e partido palestino) afirmou que o fechamento da fronteira de Rafah, que une Gaza ao Egito, visa impedir que o governo palestino leve dinheiro de outros países para Gaza, apesar do boicote internacional imposto pela União Européia (UE) e pelos EUA.
Os observadores internacionais negaram as acusações. Na semana passada, eles enviaram uma carta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, protestando pelo uso de Rafah pelo Hamas para trazer fundos para Gaza. O principal assessor de Abbas, Saeb Erekat, se reuniu ontem com o chefe dos observadores, Pietro Pistolese.
Observadores europeus vigiam o terminal devido a um acordo com os EUA para fortalecer a economia palestina depois da retirada israelense da região, no ano passado. Segundo o Exército de Israel, a passagem de Rafah não abriu no horário normal porque a passagem de Kerem Shalom, ao sul de Gaza, foi fechada devido a um alerta de segurança. Kerem Shalom é utilizada pelos observadores para chegar a Rafah. “Nós não ordenamos o fechamento de Rafah”, afirmou o porta-voz do Exército. “Isso foi feito devido a Kerem Shalom.” O Exército não soube informar quando Kerem Shalom será reaberto.
Centenas de palestinos aguardavam na fronteira de Gaza a reabertura da passagem. Segundo o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, o fechamento visa impedir a entrada de recursos trazidos em dinheiro por membros do governo palestino, após o boicote financeiro sofrido pelo governo da ANP. Israel, os EUA e a UE impuseram sanções financeiras depois que o Hamas se recusou a reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar os acordos de paz.
A ameaça de sanções dos EUA impediu bancos estrangeiros de realizar transações financeiras com o governo palestino, deixando quase 165 mil funcionários sem pagamento por meses. O Hamas desafiou o boicote e trouxe grandes quantias a Gaza em malas por meio de Rafah. A maior quantia foi de US$ 20 milhões, que o ministro palestino das Relações Exteriores, Mahmoud al Zahar, tentou trazer para Gaza dentro de 12 malas.
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Mais mortes de civis
Gaza - Israel errou ontem novamente o alvo, ao tentar destruir um automóvel que transportava terroristas do Jihad Islâmico, e atingiu com um míssil lançado de helicóptero um domicílio em Gaza, matando dois civis palestinos e ferindo 13. Com o incidente já são 14 os civis mortos por engano nos últimos dias.
As duas novas vítimas são uma dona de casa e um parente seu, emigrado na Arábia Saudita. Entre os feridos estão quatro crianças, duas delas com menos de um ano. Um porta-voz militar israelense disse que foi aberto um inquérito para identificar as causas desses erros sucessivos. Mas disse também que Israel não abrirá mão do lançamento de mísseis sobre pessoas envolvidas no disparo de foguetes de fabricação doméstica Qassam sobre civis israelenses.
Anteontem, mísseis israelenses mataram em Gaza duas crianças e um adolescente. O grupo islâmico radical Hamas, que controla o governo palestino, qualificou o ataque de “crime de guerra”.
Nas Nações Unidas, o subsecretário para assuntos políticos, Ibrahim Gambari, apelou para que Israel não prossiga nessas operações, em razão das vítimas civis que elas têm provocado. O alto funcionário lembrou também que no mês passado terroristas palestinos lançaram 176 Qassam sobre alvos civis israelenses.
Três pessoas saíram feridas em confrontos entre facções palestinas rivais, na noite passada, em Gaza. Uma bomba colocada num automóvel explodiu perto do QG das forças de segurança oficiais. O veículo pertencia a Iasser Dahlan, irmão de um dos confidentes do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Este, por sua vez, disse ontem na Jordânia que há “indícios’’ de que seus rivais do Hamas reconhecerão em breve o direito de Israel à existência.