A guerra de mercado entre as companhias e postos de combustíveis - que fez o preço do litro do álcool e da gasolina despencar nas últimas semanas - parece ter acabado. Em Bauru, os motoristas já sentem os reflexos no bolso. A maioria dos postos da cidade restabeleceu as tabelas de preços na terça-feira. O litro do álcool, que havia sofrido uma queda de até 40% no custo, passou de uma média de R$ 1,20 para R$ 1,50. A alteração do preço da gasolina chega a uma diferença de 15%. O litro, que era vendido a cerca de R$ 2,25, agora está custando R$ 2,50.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Wagner Siqueira, diz que a retomada dos preços foi uma necessidade do setor. Segundo ele, o custo dos combustíveis já resultava numa margem negativa de lucro para os estabelecimentos. “As companhias (de petróleo) tiveram de parar de oferecer o desconto, por isso os postos voltaram ao preço normal. O valor estava fora da realidade. Não tinha como tocar um posto de combustível naquele patamar”, analisa.
Para Siqueira, se eventuais guerras de mercado voltarem a ser praticadas, muitos postos de combustíveis correm o risco de fechar em Bauru. “Pelo menos 10% dos estabelecimentos, num prazo de três meses, vão interromper o funcionamento. Fica inviável trabalhar naquele nível de preço. É prejuízo certo para o distribuidor”, completa.
O presidente do Sincopetro orienta os consumidores a, neste momento, pesquisar preço e, sobretudo, ficar atento à qualidade do produto oferecido. Róbson Costa, dono de um posto de combustíveis na avenida Rodrigues Alves, acredita que por conta da alteração do preço, o consumo em seu estabelecimento deva sofrer uma queda de 30% nos próximos dez dias.
O litro da gasolina no posto, conforme ele, passou de R$ 2,29 para R$ 2,55, e o álcool, de R$ 1,19 para R$ 1,47. “O consumidor, de certa forma, vai sentir porque passou 30 dias abastecendo por um preço bem mais em conta. Não acho que 30% é muito. O motorista vai se acostumar com o preço num curto espaço de tempo, sem falar que temos os consumidores garantidos, aqueles que precisam do carro para trabalhar e não têm como abrir mão de abastecer”, observa Costa.
Outro dono de posto de combustível em Bauru, cujo nome preferiu que fosse preservado, também acredita que a alta do preço do álcool e da gasolina não deve espantar o consumidor por muito tempo. Ele prevê uma diminuição de até 10% no volume de vendas de combustíveis no estabelecimento, porém, no máximo, até o fim de semana. A queda, segundo o empresário, representará cerca de 800 litros de combustíveis, entre álcool e gasolina que vão permanecer nas bombas.
“O combustível tem se tornado um produto de primeira necessidade para a maioria das pessoas. Por isso, o consumidor não vai evitar a compra por mais de três dias. Essa guerra de preços é ruim porque o prejuízo fica com o distribuidor”, destaca. Mesmo enquanto o preço dos combustíveis estava mais barato, o empresário diz não ter sentido nenhum aumento no volume de vendas porque, segundo ele, o consumidor tinha a expectativa de que o preço deveria baixar ainda mais. “Ninguém completava o tanque. Todo mundo ficava à espera de um preço ainda melhor”, diz.
ANP
De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizado entre 11 e 17 de junho, a média do preço do litro da gasolina em Bauru foi cotada em R$ 2,32. Em outras cidades do Estado, a pesquisa apurou, no mesmo período, valores superiores. Em Ubatuba foi constatada uma das maiores médias: R$ 2,72 o litro. O valor mínimo cotado nos postos bauruenses foi de R$ 2,23 e o máximo de R$ 2,49.
O álcool também esteve mais barato em comparação a outros municípios do Estado. Enquanto a média em Bauru era de R$ 1,27 o litro,cidades como Campos do Jordão apresentava o maior pico, de R$ 1,60. Entretanto, o preço médio predominante em outros municípios foi de R$ 1,30.
Não se pode dizer, no entanto, que Bauru teve a menor média de preço do Estado. Em Poá foi constatado um índice de R$ 1,23 e em Mogi das Cruzes, de R$ 1,25. O preço mínimo constatado em Bauru apontou R$ 1,17, enquanto o máximo, R$ 1,39.
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Clientes desaprovam
O novo preço do litro do álcool e da gasolina está descontentando, e muito, os motoristas, principalmente aqueles que precisam abastecer o carro mais que uma vez por semana. É o caso do taxista José Corrêa, 57 anos, que prevê prejuízos em conseqüência da alteração da tabela de custo dos combustíveis.
“O faturamento vai diminuir e, para piorar, não dá para reajustar o preço das viagens, senão a clientela também vai ficar menor. O jeito é pagar o preço que o mercado estabelece”, diz o taxista, que trabalha com um carro movido a álcool. O policial militar Rafael Camargo, 28 anos, também se diz insatisfeito com o novo preço do combustível.
Segundo ele, seu gasto mensal deve aumentar cerca de R$ 50,00 com a retomada da tabela. “Como preciso do carro todos os dias para trabalhar, não vai ter como eu controlar essa despesa. Gastar mais com álcool, infelizmente, será inevitável”, completa.