10 de julho de 2026
Nacional

Fundo americano propõe injeção de US$ 485 mi em troca de 90% da Varig

Folhapress
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Rio de Janeiro - A Volo do Brasil, empresa do fundo americano Matlin Patterson formada para a compra da VarigLog, apresentou informalmente à Justiça uma proposta para a compra da Varig que prevê a injeção de US$ 485 milhões na companhia aérea. Desse total, US$ 20 milhões entrariam imediatamente na empresa.

Segundo fontes ligadas à negociação, o dinheiro entraria no caixa da companhia e garantiria a reestruturação de suas operações, mas não seria utilizado diretamente para pagar credores. Da nova Varig, da qual seriam excluídas dívidas estimadas em R$ 7,9 bilhões, 90% ficaria com a Volo, 5% com funcionários e 5% com os credores da Varig. Proposta muito parecida, mas de US$ 400 milhões, já chegou a ser apresentada aos credores da Varig, mas não foi aceita porque os eles consideraram que uma participação de apenas 5% seria inviável para o pagamento de dívidas de R$ 7,9 bilhões.

Além disso, desta vez a Volo também condicionou a nova proposta à aprovação pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) da venda da VarigLog, ex-subsidiária de transporte de cargas da Varig. A venda da VarigLog por US$ 48,2 milhões para a Volo foi fechada há vários meses, mas ainda não teve a aprovação da Anac, que alega que os documentos necessários para a transação não foram apresentados. O Snea (sindicato patronal das empresas aéreas) afirma que a Volo descumpre a legislação brasileira, que estabelece que estrangeiros só possam ter até 20% do capital de uma empresa aérea.

À Justiça, a Volo informou que só confirmará a proposta se a Anac aprovar a compra da VarigLog até hoje. A outra proposta de compra da Varig, apresentada pelo Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), só será aceita se o grupo injetar na Varig US$ 75 milhões até hoje. O coordenador do TGV, Márcio Marsillac, admitiu anteontem pela primeira vez que pode não conseguir os recursos nesse prazo.

BRA

As companhias aéreas só deverão assumir os vôos internacionais da Varig em caso de quebra da empresa se houver a redistribuição das concessões para a operação dessas rotas, segundo o diretor de Planejamento de Tráfego da BRA, Waldomiro Silva Júnior. Ele disse que a operação de novas rotas internacionais depende de investimentos e que é preciso haver uma garantia de que esse investimento será recuperado.

As concessões seriam, segundo ele, a garantia de que a empresa teria um prazo mínimo de seis meses a um ano para recuperar as despesas com essas rotas. No mercado aéreo brasileiro, as companhias só podem operar uma rota após terem obtido autorização da Agência Nacional de Aviação Civil. Ele afirmou que nos vôos domésticos, entretanto, são poucos os casos em que somente a Varig opera uma rota.

“Quando há espaço nas aeronaves, não custa nada acomodar os passageiros da Varig. Se eu tiver que voar para um país para buscar passageiros da Varig, só posso fazer isso se houver mesmo um colapso da Varig, se parar realmente”, disse ele ao comentar que essa medida só será adotada se a Varig perder a concessão para voar. Se for contempladas com rotas da Varig, a BRA tem, segundo o executivo, condições de colocar aviões para voar nesses espaços deixados em 48 horas.

A empresa defende que a redistribuição das rotas da Varig não seja feita proporcionalmente à participação de mercado de cada uma, mas de uma maneira mercadológica. “É melhor para a saúde do mercado se houver mais empresas e mais competição. Se limitar a duas empresas no mercado doméstico (TAM e Gol), certamente haverá aumento de tarifa.” Ele disse ser contrário ao leilão das concessões porque essa forma favoreceria as grandes companhias.