Chapecó - Esgotadas as tentativa de compor a chapa de sua candidatura à reeleição com o PSB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem que repetirá a dobradinha com o atual vice, José Alencar (PRB). A chapa deve ser oficializada hoje durante a convenção do PT em Brasília.
“Aprendi com o futebol que em time que está ganhando a gente não mexe”, disse o presidente em Chapecó (SC). Lula falou como se o PT nunca tivesse cogitado ter outros nomes na chapa.
Anteontem, dirigentes do PSB descartaram aliança formal com o PT, explicando que o partido correria o risco de não cumprir a cláusula de barreira (a votação mínima exigida para que os partidos mantenham a representação formal na Câmara em 2007, acesso ao fundo partidário e maior tempo de TV). “Eu já tenho vice. É meu vice há três anos e meio, por que vou mudar? Alencar continua. Nunca tive essa preocupação (de mudar)”, afirmou Lula, que elogiou o caráter e as qualidades de empresário do vice.
Na verdade, o preferido de Lula era o peemedebista e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim. O presidente só resolveu manter Alencar na chapa depois da decisão do PMDB de não apoiar nenhum candidato à Presidência e do “não” ouvido do PSB. O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, em Caruaru (PE), ironizou: “Não se mexe em time que está ganhando, mas, no ano passado, ele só ganhou do Haiti”.
O tucano se referia ao crescimento econômico brasileiro em 2005. “Lula tentou o PMDB, o PSB, o PC do B. Ninguém quis, então levou o José Alencar, coitado”, emendou José Jorge (PFL), candidato a vice na chapa de Alckmin. Porcos Em Chapecó, Lula participou de encontro sobre habitação rural. Suinocultores distribuíram cerca de 50 porcos vivos, com pesos variados de 20 a 100 kg, a 250 metros do local para protestar contra a suspensão, pela Rússia, da importação da carne suína do Estado.
“A cena mais bonita foi de uma mulher, loira, magra, agarrada num porco de uns 100 kg’’, descreveu o subtenente Gilberto Souza dos Santos, que coordenava o trânsito naquele ponto.
Alencar
“O meu desejo é: desde que o Brasil precise de mim, eu estou disponível”. Com essa frase dita ontem em Belo Horizonte, o vice-presidente José Alencar (PRB-MG) deixou claro que dará hoje o sim ao presidente Lula e aceitará repetir na eleição deste ano a dobradinha vitoriosa de 2002, sendo o vice da chapa.
Alencar negou diversas vezes ter ficado chateado com o fato de Lula ter sondado outros nomes para vice. Atribuiu esse fato à mídia. E até mudou o tom em relação à economia. Agora, segundo ele, o País está “em condição excepcional de crescimento”. “É como ensina o Eclesiastes: há um tempo para cada coisa. Houve tempo de organizar a casa, agora é tempo de crescer. O governo está consciente de que o Brasil está preparado, como está consciente de que precisa crescer e vai crescer”, disse Alencar, até então um dos maiores críticos do baixo crescimento e das altas taxas de juros.
Ele elogiou a política externa, a social e fez comparações de indicadores econômicos do início de 2003 com agora: risco-Brasil menor, relação dívida-PIB (Produto Interno Bruto) de 58% para 50% e dívida desdolarizada. “Isso é uma grande vitória”, afirmou. “Nos comícios do PT sempre se falou o refrão: “Fora daqui, o FMI’. Pois bem, o FMI está fora daqui, mas nós não demos prejuízo. Ao contrário, pagamos antecipadamente ao FMI”.
Crítica aos juros
Sobre a taxa de juros, Alencar disse: “A taxa básica praticada pelo Banco Central ainda é muito alta em relação às praticadas no mundo inteiro. Porém, é bem inferior àquela que nós recebemos. Quando chegamos, a Selic era de 25% [ao ano]. Hoje é 15,25%, com tendência a cair. E vai chegar a menos do que isso. Isso nos prepara para retomar o crescimento, gerar oportunidade de trabalho e enriquecer o País”. Alencar disse ter recebido ontem ligação de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, para uma conversa com o presidente às 9h de amanhã, no Palácio do Alvorada. De lá, os dois seguirão juntos para a convenção do PT que homologará candidatura.
Por isso, o vice-presidente evitou dizer se aceitará o convite de Lula, manifestado publicamente ontem em Chapecó (SC), onde disse que “em time que está ganhando não se mexe”. Alencar disse que só poderá falar após a convenção do PT e que não fala por hipótese. “Digo o seguinte: se o Brasil achar que eu seja útil e me quiser, e me eleger, disponível eu estou, para trabalhar”.
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Chapa aprovada
Brasília - O diretório nacional do PT aprovou ontem, por 59 votos a favor e uma abstenção, a chapa que deve representar o partido nas eleições de outubro: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente José Alencar (PRB). A abstenção ficou por conta de Markus Sokol, integrante da chamada “esquerda” do partido, que criticou a escolha de Alencar.
“Isso (a confirmação de Alencar) sinaliza a continuidade da política do atual governo. Nós esperamos uma mudança. O Lula é candidato para quê? Para continuar o que está fazendo ou para retomar as aspirações populares que o elegeram em 2002?”, questiona.
“Esse era o caminho mais natural, que ainda não estava fechado porque outro partido poderia pleitear a vaga”, disse o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, antes do início da reunião do diretório nacional. Lula anunciará sua candidatura hoje, durante convenção do PT e o partido deve oficializar o nome de Alencar para repetir a dobradinha de 2002 com o presidente.