08 de julho de 2026
Bairros

Em busca do espaço perdido

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Espaços de convivência, áreas de lazer, lugares de integração. Na concepção geral da maioria, estas poderiam ser as definições para o termo “centro comunitário”. Em Bauru, no entanto, a realidade mostra ser bem distinta da idéia que as pessoas possam fazer desses locais.

A cidade tem hoje 94 associações de moradores e dessas 28 contam com centros cadastrados pela Secretaria das Administrações Regionais (Sear). Apesar disso, seis bairros possuem espaços considerados inativos: Jardim Progresso, Jardim América, Parque Real, Vila Ipiranga, Geisel e Jardim Redentor.

Entre os 22 centros comunitários dados como em funcionamento pela Sear, a oferta de atividades para comunidade está longe do ideal. “Muitas vezes os espaços de convivência acabam sendo meros salões de festa”, diz Nelson Fio, secretário responsável pelo órgão.

Segundo dados da Sear, em pelo menos cinco dos centros comunitários em funcionamento, as atividades oferecidas resumem-se a bailes, festas ou palestras esporádicas. Na maioria dos restantes, os principais atrativos oferecidos são aulas de ginástica, capoeira ou dança.

Em apenas cinco bairros há oferta de aulas de reforço escolar ou cursos profissionalizantes, como informática ou marcenaria, e somente dois possuem bibliotecas comunitárias nas áreas de convivência. “Essa utilização insuficiente não mobiliza os moradores e faz com que eles se afastem dos centros”, pensa Fio.

Espaços comunitários vazios são sinônimo de abandono. Além dos seis locais considerados inativos pela Sear, outros dois, que não possuem dados sobre ocupação e uso nos cadastros do órgão, estão fechados.

O centro de convivência da Vila São Paulo é um deles. “O prédio foi fechado há mais de três anos, pois não apresentava condições de uso”, conta José Bonifácio Lima, presidente da associação dos moradores do bairro.

Lima acredita que o desinteresse dos moradores do bairro em relação ao espaço colaborou para que o fechamento tenha ocorrido. “Ninguém participa de nada. Só sabem cobrar, não querem ajudar”, diz.

Segundo ele, a entidade não tem recursos para administrar o imóvel. “A situação é antiga e ninguém consegue resolver. Quando assumi, já havia muitos problemas e com o tempo só foram piorando”, lamenta.

Lima diz que, quando tornou-se presidente da associação, há dois anos, o prédio estava bastante depredado. “Tentei arrumar algumas coisas, mas não deu em nada. Até a fiação do barracão roubaram”, reclama.

Um centro comunitário abandonado nem sempre é fruto do desinteresse dos moradores. No Jardim Redentor, uma sucessão de pequenos problemas levaram ao fechamento do espaço de convivência do bairro.

“No começo eram alguns buracos no telhado. Como não foram arrumados, a água da chuva foi infiltrando-se, até comprometer outras partes do prédio. No fim, ficou sem condições de uso”, explica Tânia Lanzetti, presidente da associação de moradores.

Ela afirma que, antes do fechamento, era comuns no centro a realização de festas, cursos e reuniões. “Mas não tivemos apoio para reformar e o bairro ficou sem sua área de convivência”, lamenta.

Apesar das dificuldades, em diversos bairros a comunidade luta para resgatar os centros comunitários. No Núcleo Geisel, o espaço ainda considerado inativo pela Sear começa a “reviver”.

“Desde o ano passado estamos colocando cursos e fazendo algumas reformas. Talvez assim a população retorne e o centro volte a funcionar como antes”, acredita Alan Ursulino de Paula, presidente da associação de moradores do núcleo.