10 de julho de 2026
Bairros

Gestão ‘espinhosa’ piora situação dos centros

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Muitas vezes visto como espaço de lazer e integração dos moradores em um bairro, um centro comunitário acaba sendo, muitas vezes, causa de dificuldades para as diretorias das associações de moradores.

“A gestão desses lugares não é simples, demanda muitos gastos com taxas, manutenções, e nem sempre as entidades responsáveis são capazes de arcar com essas obrigações”, afirma Fabiana Lima, da Secretaria das Administrações Regionais de Bauru (Sear).

Nair Rossi de Carvalho, última presidente da Associação dos Moradores da Vila Nova Esperança, confirma os problemas apontados por Lima. “Grandes reformas custam caro e não temos de onde tirar recursos para bancá-las”, diz ela.

No Jardim Redentor, dificuldades de gestão também impedem que o centro comunitário do bairro volte a funcionar. Com sérios problemas no telhado, o prédio encontra-se há quatro anos fechado.

“Há pouco tempo a diretoria pediu para que um engenheiro avaliasse o preço dos reparos e ele deu o valor de R$ 30 mil. De onde poderíamos tirar tanto dinheiro, se nenhum órgão público está disposto a colaborar conosco?”, questiona Tânia Rúbia Lanzetti, presidente da associação dos moradores do bairro.

Para Lima, as associações deveriam avaliar se vale a pena assumir a administração de um espaço de convivência. “Quando nos procuram, os líderes comunitários dificilmente são capazes de explicar o que a construção de um centro comunitário poderia acrescentar ao bairro”, afirma.

Nelson Fio, secretário responsável pela Sear, acredita que a gestão problemática dos espaços deve-se à maneira como as associações estão organizadas. “Elas não são capazes de mobilizar os moradores dos bairros, pois ficam centradas na figura de uma única pessoa”, acredita.

Em todas as entidades de moradores de Bauru, o único telefone para contato disponível é o da casa do presidente. “Essa forma de administração fica sem credibilidade, pois não aparenta representar a coletividade da região”, completa Fio.

A Sear estuda mudanças na forma de administração dos centros comunitários. “Pensamos na formação de conselhos nos bairros, que integrariam, além das associações de moradores, igrejas, ONGs e entidades civis, tornando a o controle dos centros mais plural. Talvez isso ajudasse a mobilizar mais as pessoas em torno dos espaços de convivência”, diz ele.