09 de julho de 2026
Nacional

Com a Copa do Mundo, redes compram 70% mais cervejas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O comércio se preparou para o aumento de demanda de cervejas e salgadinhos no período de Copa do Mundo, mas as temperaturas altas levaram as lojas a aumentar os pedidos para as fábricas nos últimos dias. Isso aconteceu nos bares e supermercados de médio porte, que perceberam aumento de demanda na última semana, apurou a reportagem.

Como a entrega dessas mercadorias é, em grande parte, em “tempo real”, as empresas estão operando com carga total. Levantamento publicado nesta semana pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) com 53 redes de supermercados mostra que eles compraram 77% mais bebidas alcoólicas para a venda durante a Copa em relação aos períodos em que não há o evento. No caso dos salgadinhos, os pedidos foram 70% superiores aos períodos sem o evento.

A demanda pelos itens de bazar, que inclui camisetas, bandeiras e outros itens da Copa, mobilizou pouco as encomendas das lojas. Apenas 17% reforçaram os estoques com mercadorias desse tipo. Pesquisa da Abras ainda mostra que 74% das 53 redes ouvidas acreditam que o consumidor está se comportando de maneira “moderada ou arrojada” em relação às compras no período do torneio. Outros 26% percebem que o cliente está conservador.

Além da cerveja, o brasileiro comprou mais produtos nos supermercados neste ano, mas continuou a optar por itens de marcas de preço baixo para gastar menos. Como resultado, as lojas encerraram o período de janeiro a maio com queda de 2,83% na receita real de vendas (descontada a inflação). Só no mês passado, o valor encolheu 4%.

Pelos dados da entidade, que coleta as informações com 2.000 pontos-de-venda de janeiro a abril, o varejo de alimentos e itens de higiene e beleza vendeu 3,5% mais mercadorias.

A questão é que volume maior não tem se traduzido em expansão no faturamento. Em igual período, a receita real das lojas caiu 2,5%. Não há dados sobre o volume de itens comercializados até maio. Ao mesmo tempo, o consumidor continua comprando eletroeletrônicos e ainda carrega um endividamento com essas mercadorias desde o ano passado, quando passou a adquirir, por meio de créditos de longo prazo, itens como TVs e DVDs.

Na avaliação dos supermercadistas, o pano de fundo dessa crise no varejo alimentício continua a ser a expansão pequena na renda. Isso porque, mesmo com deflação e endividamento, se o rendimento real do brasileiro apresentasse estabilidade no crescimento, os resultados poderiam ser melhores. O rendimento médio real do trabalhador cresceu 0,5% de janeiro a março (último dado disponível).

Em 12 meses (março de 2005 a março de 2006), a alta real é de 3,8%. Enquanto a renda ainda patina, cresce a demanda por mercadorias de “marca própria” , aquelas que levam o nome da loja na embalagem, e são de 15% a 20% mais baratas que as marcas líderes.