As histórias acontecem principalmente em um colégio e giram, claro, em torno dos problemas dos adolescentes que lá estudam. Patricinhas, garotas-problema, meninos incompreendidos e aqueles que só aprontam são tipos comuns nesses ambientes, não são? Bom, os fãs de “Rebelde” (SBT) e de “Malhação” (Globo) não pensam exatamente dessa forma.
Uma verdadeira guerra se travou no site de relacionamentos Orkut (www.orkut.com) devido às semelhanças notadas entre as duas tramas, e o público, ao querer provar que a sua novela preferida é melhor que a outra, parte para insultos pessoais, cujos mais leves são adjetivos como “retardado” para quem assiste a uma ou outra história.
“Eu mesma sou discriminada, chamada de criança, coisa que eu não gosto e sei que não sou, só pelo fato de assistir a ‘Rebelde’. Isso não leva a nada”, diz Marjana Casarotto, 13 anos, que assume ser “viciada” na novelinha exibida pelo SBT. Lorena Vilas Boas Pereira, 12 anos, também não acha que os insultos sejam necessários. “Cada um tem sua opinião, mas é ridículo alguém que ama ‘Malhação’ e que nunca viu ‘Rebelde’ ficar dizendo que é isso e aquilo. Eu não suporto.”
Só para lembrar, as duas tramas não são exibidas no mesmo horário e não disputam audiência. Enquanto “Malhação” é exibida às 17h30, o folhetim mexicano entra no ar somente às 20h. A audiência da primeira, na semana passada, passou dos 40 pontos, e a de “Rebelde”, em maio, ficou na média dos 10, apesar de a história ter se tornado um fenômeno entre adolescentes, que já compraram mais de um milhão de cópias de discos do RBD (banda que foi formada na novela).
Um dos primeiros alvos do desentendimento entre os fãs foram as semelhanças notadas entre as novelinhas, e a personagem Priscila (Monique Alfradique), da produção da Globo, é tida como “cópia” da Mía de “Rebelde”. “Mía é loira e costuma falar frases em inglês. A Priscila a copiou neste ponto, pois nunca teve isso antes”, reclama Larissa de Carvalho, 13 anos.
Mas, segundo Izabel de Oliveira, autora de “Malhação”, “não há lugar para estas comparações”. “A novela estreou em 1995 como uma trama diária sobre o universo dos jovens. Temos sempre em mente que precisamos nos informar para trazer os temas discutidos na sociedade para o programa, esta é uma forma de mantê-lo sempre moderno e em contato com o nosso público, que hoje engloba toda a família. Estamos satisfeitas em ver que estão surgindo mais produções voltadas para este setor”, afirma Izabel.
A atriz Monique Alfradique concorda. “As linhas que as duas seguem são completamente diferentes, mas elas têm o mesmo clima jovem. Não tem nada a ver ficar brigando. Os fãs deveriam escrever para nós, atores, dizendo o que pensam, fazendo críticas, no lugar de brigar pela Internet.” Ela também acha que Mía e Priscila não são parecidas. “Existem várias patricinhas no mundo, assim como punks e nerds. Por que em novela só pode ter um? A Priscila tem a influência do inglês por ter morado fora.” E Monique vai além. “De repente, as duas poderiam até ser amigas. Quem sabe?”