Saiu da cozinha do câmpus da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru, onde era cozinheira havia 10 anos, com uma forte dor no braço. Resolveu passar no consultório médico da universidade antes de ir embora. “Queria apenas um remédio para aliviar a dor e ir para casa”. O médico, porém, mudou seus planos. “Ele disse que eu estava enfartando e me colocou na ambulância. Eu disse que não era nada disso, que era só dor no braço”.
A resistência em aceitar o diagnóstico se justifica. Vera Lúcia Afonso de Moura, 54 anos, tinha 47 anos quando sofreu o enfarte. Em tese ela estaria fora da faixa etária em que é mais comum a incidência em mulheres: a partir dos 65 anos. Porém, Vera tinha uma vida sedentária, estressante e com alimentação que incluía muita gordura.
“Eu me preocupava com tudo: casa, filhos, comida, nada me deixava em paz”, conta. Enfarte ocorrido, as mudanças na rotina de Vera eram inevitáveis. Porém, mudar hábitos de tantos anos foi um grande desafio. Sua vida sofreu uma reviravolta. Teve que mudar de função no trabalho. “Eu adorava ser cozinheira, mas era realmente estressante, com muita pressão. Fazia 700 refeições por dia e se tinha algum evento, não tinha hora para sair”, conta.
Acostumada com a correria da cozinha, Vera conta que sofreu para se adaptar na função de recepcionista. “Me sentia uma inútil. Ficava sentada, sem ter o que fazer. Hoje me acostumei, mas foi difícil”. Tirar a banha de porco e as carnes gordas da refeição foi outro sofrimento. “Eu sou cozinheira, gosto de cozinhar bem e tive que passar a comer só coisas leves”.
Introduzir as atividades físicas foi a parte mais difícil das mudanças exigidas pelo enfarte. “Eu demorei mais de um ano para conseguir caminhar diariamente. No começo, eu não conseguia arranjar tempo, não fazia nem 15 minutos de exercício, também não conseguia fazer todos os dias”, conta. “Hoje, levanto e já vou caminhar, religiosamente, de 20 a 30 minutos”.